A atuação política em Alagoas tem sido marcada pela corrupção e por outros crimes e devido á descrença, a população ainda é coadjuvante no processo eleitoral, desconhecendo seu papel transformador. Mas, embora em menor escala, a juventude tem buscado conquistar seu espaço, procurando novas formas de participação, por conta do descontentamento com as formas tradicionais de inserção na política, como partidos, sindicatos e entidades estudantis.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) revelou que um em cada três jovens brasileiros participa de algum tipo de organização social, como grupos religiosos, de hip hop, grafiti, que não são vistos tradicionalmente como organizações políticas. Mas, no Estado, partidos como o PSOL, PSTU e PT contam com jovens filiados.
A falta de acesso à informação ainda é um empecilho à essa participação e os jovens com maior renda familiar têm mais condições de receber uma educação de qualidade e consequentemente, mais estímulo para participar da vida política do país.
A juventude do Partido dos Trabalhadores no Estado (JPT/AL) agrupa filiados até 29 anos, que para além da carreira política têm buscado se inserir no contexto social, realizando articulações e apoiando outros segmentos da sociedade, como forma de não se mostrarem politicamente apáticos e céticos, com a premissa de que além de criticar é preciso agir.
Segundo o cientista político Eduardo Magalhães a participação jovem na política continua sendo importante, atuando tanto como eleitores quanto como fiscalizadores e protagonistas do processo eleitoral. “Nas últimas eleições 15% dos jovens de 16 a 18 anos não votaram. A participação não chega a 20% e o desenvolvimento político precisa deles. Poucos partidos ainda são regidos por ideologias, como o PSTU e PSOL. Não é como nos anos 80 e 90 e boa parte dos que se filiam querem desempenhar algum cargo”, explicou.
O estudante Udson Pinheiro,20, que faz parte da JPT/AL ressaltou que há um ano resolveu se filiar, por conta da força e sustentação que algumas legendas proporcionam às lutas sociais. Ele concorda com a participação ativa dos jovens também para disputar eleições, desde que os candidatos sejam comprometidos, como forma renovar os quadros políticos em Alagoas.
“Eu já militava fora do PT, mas na mídia os partidos são vistos como prejudiciais, que só criam candidatos a cargos públicos. Se houver jovens honestos, que se preocupam com as políticas públicas, como geração de emprego e educação superior gratuita isso vai melhorar. Ao invés de esperar que alguém faça, temos que correr atrás, dialogando com os movimentos sociais. Promovemos encontros regionais, nacionais e congressos para debater a concepção de juventude, porque ela vai além do movimento estudantil”, ressaltou Pinheiro.
