A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), disse hoje, ao anunciar mudanças no Detran-RS (Departamento Estadual de Trânsito), que agora considera o órgão "seu filho" e que ele passou a ser um "símbolo positivo" em vez de "um ente simbólico negativo".

Ela se referia às suspeitas de desvios de R$ 44 milhões no órgão levantadas pela Operação Rodin, da Polícia Federal, que originou uma crise em seu governo. "Quero registrar o nascimento de uma nova instituição: o Detran público. Este, sim, é meu filho, seja bem-vindo", disse, em cerimônia oficial.

A principal mudança anunciada foi a alteração no sistema de aplicação de exames práticos e teóricos para a carteira de motorista, que agora serão geridos por servidores públicos do próprio órgão. Antes, o serviço era terceirizado e ficava a cargo da Fundae, fundação ligada à Universidade Federal de Santa Maria apontada pela polícia como um dos pontos de desvio de recursos públicos.

Na terça-feira, a Assembleia do Rio Grande do Sul arquivou um pedido de impeachment, feito por sindicatos, contra a governadora por ligações com os desvios no órgão. A Procuradoria da República também moveu ação de improbidade administrativa contra a Yeda devido ao caso, mas ela foi excluída do processo.

Ela nega as suspeitas. Na cerimônia, voltou a afirmar que as irregularidades no Detran começaram em governos anteriores ao dela. A governadora disse que pretendia reestruturar o órgão no começo do governo, mas que o processo foi adiado pelas investigações da Polícia Federal.

A governadora ainda anunciou redução de R$ 50 no preço da carteira de motorista a partir de 2010 e enviou para a Assembleia projeto de reajuste salarial para servidores do órgão.