Um cientista americano que trabalhou para a Nasa (agência espacial dos EUA) e para o Pentágono foi acusado na segunda-feira (19) de tentativa de espionagem para Israel, segundo informações do Departamento de Justiça.

Stewart David Nozette, de 52 anos, é acusado de "tentar deliberadamente, comunicar, entregar e transmitir informação sigilosa, relacionada à defesa nacional dos Estados Unidos, a um indivíduo que ele acreditava ser um funcionário da inteligência israelense (mas na verdade era um agente do FBI)", informou o departamento.

Ele foi preso nesta segunda-feira por agentes do FBI e deve comparecer a uma audiência em um tribunal de Washington nesta terça-feira (20). Caso seja condenado, a sentença pode ser prisão perpétua.

"A conduta relacionada a este caso é séria e deve servir como alerta para qualquer um que possa considerar comprometer os segredos de nossa nação por lucro", disse o procurador-geral assistente, David Kris.

Acesso

Nozette trabalhou para a Casa Branca no Conselho Nacional Espacial entre 1989 e 1990. Depois, passou dez anos no Departamento de Energia. Em 2000, o cientista criou uma associação sem fins lucrativos com a qual participou do desenvolvimento de tecnologia de ponta.

"Entre 1989 e 2006, Nozette teve acesso a informações secretas e, regularmente, a documentos ligados à defesa dos Estados Unidos", afirmou o departamento de Justiça. Em setembro, Nozette teve contato com um agente do FBI que se passou por um oficial da inteligência israelense. Ele teria dito que estaria disposto a responder regularmente perguntas sobre informações secretas dos EUA em troca de dinheiro e de um passaporte israelense.

Ao longo do mês, o cientista teria enviado cartas com as respostas às questões. O conteúdo, segundo o departamento de Justiça, era classificado como "secreto e super secreto, sobre satélites americanos, sistemas de alerta precoce, modos de defesa e retaliação contra ataques de grande escala, informações sobre inteligência de comunicação e importantes elementos da estratégia de defesa". Ainda segundo o comunicado, Nozette teria aceitado um total de US$ 11 mil pelas informações.