Depois de um fim de semana de confrontos, moradores do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, começam a retomar a rotina. No principal acesso ao morro, na Rua Armando Albuquerque, o fluxo de pessoas entrando e saindo de casa é grande. Há 30 anos no morro, o aposentado Geraldino Felisberto, de 55 anos, resume o que viu: "Esse foi o ataque mais dramático que vi em 30 anos. Fiquei em casa, tenso. Ouvi muito grito e barulho de tiro o dia e a noite toda. Mas agora a situação foi normalizada".

Segundo ele, a presença da polícia na região traz tranquilidade aos moradores, que já transitam normalmente pelo morro. Pelo bairro, o que se vê são as marcas de tiros que ficaram cravadas em vários prédios. Por volta das 10h, o blindado da PM, conhecido como "caveirão", entrou na favela. Outro veículo blindado foi visto na Rua Visconde de Santa Isabel.

No local, ambulantes e vendedores de frutas, verduras e hortaliças retomam a rotina, interrompida no sábado (17) por causa dos confrontos.

"Trabalho aqui há 10 anos e esse foi um dos piores confrontos que já vi. Com medo, no sábado, não trabalhei, fiquei em casa", diz o vendedor Gilberto Alves, de 51 anos.

Outros vendedores, também moradores da redondeza, confirmam que o final de semana vai ficar marcado na história. Com medo de represálias, eles preferem não se identificar.

"Moro aqui desde 1981. Com certeza esse foi o pior ataque que já vi. Não dava para ir para a rua. E não gosto de dar meu nome porque aqui a gente é caçado. Morador não pode falar".

Com medo, outro morador também não quis dar seu nome. "Sou morador do Morro dos Macacos há 25 anos. Foi horrível. Graças ao bom Deus já acabou", disse ele.

Com o feriado do Dia do Comerciário, muitas lojas estão fechadas. Mas bares, lanchonetes, padarias e drogarias funcionam normalmente.

A polícia faz rondas pelo local e mantém alguns carros parados em pontos estratégicos. Segundo moradores, muitos policiais circulam pela favela.

Segundo o relações públicas da Polícia Militar, major Oderlei Santos, o clima é de tranquilidade na manhã desta segunda-feira (19) em toda a Zona Norte. "Temos 2 mil policiais empenhados e de prontidão. Com o efetivo da Zona Oeste, da Baixada e do Grande Rio esse número chega a 4 mil".

 

A guerra do tráfico na Zona Norte começou no sábado (17) e deixou 12 mortos. No domingo, outras duas pessoas morreram durante uma operação no Jacarezinho e dois corpos foram achados no Morro São João.

 

No tiroteio, criminosos acertaram um helicóptero, que explodiu, matando dois policiais. E ônibus foram incendiados em outros bairros do subúrbio.

Três mortes sendo investigadas

A polícia está investigando se três dos dez mortos no confronto entre traficantes rivais e policiais, no sábado (17), na Zona Norte do Rio, são inocentes.


Parentes dos três jovens contaram que eles trabalhavam como pedreiro, mecânico e auxiliar administrativo, e voltavam de uma festa na hora da invasão. Testemunhas disseram que o carro deles foi metralhado por criminosos.

 

Os três jovens eram amigos de infância e moravam na mesma comunidade, o Morro dos Macacos, onde começou a guerra entre traficantes. Segundo parentes, um dos rapazes tinha acabado de comprar o primeiro carro e decidiu comemorar.