O consumo de água e energia elétrica está crescendo no Estado. A elevação também é registrada em Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, em função da forte sensação de calor no período seco do Nordeste Setentrional. A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e a Companhia Energética do Ceará (Coelce) contabilizam recordes históricos de abastecimento. Já a Fundação Cearense de Recursos Hídricos e Meteorologia (Funceme) explica que este clima deve persistir até a chegada das próximas chuvas.

O período chuvoso do Ceará começa em fevereiro e termina em maio, dando lugar à estiagem até janeiro. A meteorologista Gláucia Barbieri, da Funceme, comenta que os termômetros em Fortaleza marcam, em média, temperaturas mínimas de 24°C e máximas de 31°C. Mas a sensação de calor é maior por conta da combinação entre ventos enfraquecidos, alta umidade e temperatura elevada. No Interior, principalmente Sertão Central e Inhamuns, a temperatura tem chegado a 34 e 35°C. Gláucia Barbieri explica também que a sensação térmica ainda deve se elevar. A meteorologista aponta como causa o fim de época de ventos fortes.

Conforme estatísticas da Cagece, o maior consumo é registrado em janeiro, último mês antes do período chuvoso. A demanda cai em meio às chuvas e volta a crescer até o fim da estiagem. A variação, comparando abril de 2008 com janeiro último, chegou a 2,6 bilhões de litros.

Um dos exemplos de variação de abastecimento é Juazeiro do Norte, no Cariri. A Cagece mostra que o consumo médio mensal variou 1.680 litros comparando novembro de 2008 com junho de 2009. O cálculo considera todas as contas de água da cidade. O gerente de Perdas da Cagece, Luiz Celso Pinto, relata itens para o variação da demanda. Nas chuvas o consumo em irrigação de jardins e hortas é menor, bem como o número de banhos. Além disso, os poços tornam a encher e seus proprietários reduzem a demanda de água fornecida pela companhia.

O calor também influencia no consumo de energia. A Coelce informa que, em 2008, as menores demandas aconteceram no primeiro semestre, em meio às chuvas. O fornecimento voltou a crescer na estiagem e atingiu o pico entre dezembro e janeiro. O consumo variou mais de 20% em nove meses. De acordo com a Coelce, no dia 30 de setembro foi anotado o maior pico de consumo da história.

VENTO MAIS FRACO

> Segundo a meteorologista Gláucia Barbieri, da Funceme, os ventos atualmente têm média de 32 km/h, com pico de 60 km/h. Já em dezembro a velocidade cai pela metade.

> De acordo com Gláucia, a temperatura máxima média em Fortaleza, hoje em 31°C, não deve crescer até o início da próxima estação chuvosa. Já a sensação térmica de calor, sim.

> Gláucia Barbieri comenta que ainda que a urbanização é outro fator que aumenta a sensação térmica, em razão do asfalto e do modelo de construções verticalizadas. No Parque do Cocó, por exemplo, a sensação térmica é menor que no Centro.

> O Nordeste Setentrional está situado ao norte da bacia do São Francisco. Engloba Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, agreste de Pernambuco e parte de Alagoas.