A organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou nesta sexta-feira o governo interino de Honduras de bloquear a investigação sobre abusos dos direitos humanos que uma unidade da procuradoria realiza desde o golpe de Estado de 28 de junho passado, que derrubou o presidente Manuel Zelaya.

O trabalho da unidade de procuradores de direitos humanos é dificultado por seus próprios superiores e pelos corpo de segurança, afirma a ONG, já que a posição adotada pelo procurador-geral, que simpatiza com o governo interino, provocou divisões em seu gabinete.

A HRW visitou há alguns dias Honduras para fazer uma avaliação da situação dos direitos humanos depois do golpe de 28 de junho e afirmou que o acesso dos procuradores da unidade de direitos humanos foi proibido pelo regime interino. A ONG afirma ainda que eles foram alvo de ameaças de militares e policiais.

"Sem um apoio internacional firme, estas investigações provavelmente encontrarão tantos obstáculos que não chegarão a lugar algum", afirma o comunicado.

Diversas organizações de direitos humanos fizeram denúncias de violações em Honduras desde o golpe, que deixou o país sob toque de recolher por vários dias consecutivos.

Até o Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) condenou no começo do mês os abusos. O conselho pediu ainda à alta comissária de direitos humanos, Navanethem Pillay, um informe sobre a situação dos direitos humanos em Honduras desde o golpe.

As autoridades hondurenhas reconhecem a morte de apenas três manifestantes da oposição. O primeiro deles morreu em 5 de julho passado, quando milhares de apoiadores de Zelaya foram ao Aeroporto Internacional de Tegucigalpa para receber o presidente deposto. O Exército tomou a pista do aeroporto e proibiu o pouso do avião que trazia Zelaya. As autoridades dizem, contudo, que não sabem com certeza de onde veio o tiro que matou o manifestante.

Desde a volta do presidente deposto Zelaya a Honduras, em 21 de setembro passado, as forças de segurança de Honduras ampliaram a segurança nas ruas de Tegucigalpa e enfrentaram diversas vezes grupos de manifestantes. O governo admitiu a morte de duas pessoas durante estes confrontos.

No último dia (22), um dia após Zelaya chegar a Embaixada do Brasil em Honduras, onde está refugiado desde então, policiais e militares hondurenhos expulsaram com gás lacrimogêneo, canhões de água e alto-falantes os cerca de 5.000 manifestantes pró-Zelaya que passaram a madrugada em frente à embaixada, desafiando o toque de recolher.