O Ministério Público de Contas do Rio Grande do Sul entrou com uma representação nesta quarta-feira no TCE (Tribunal de Contas do Estado) pedindo uma inspeção extraordinária nas compras realizadas para a casa da governadora Yeda Crusius (PSDB).

O pedido foi feito pelo procurador Geraldo Costa Da Camino a partir de uma denúncia de deputados estaduais. Segundo eles, é necessário aprofundar a análise porque elementos indicam irregularidades.

A inspeção, se aprovada pelo plenário do TCE, será feita na Casa Civil e Militar do governo, de acordo com o Ministério Público de Contas.

A bancada do PT na Assembleia acusa a governadora de fazer compras para sua casa com dinheiro público.

Segundo os petistas, Yeda comprou cerca de 70 metros quadrados de piso emborrachado, móveis infantis e R$ 62 mil em alimentos. Os parlamentares da oposição decidiram investigar por conta própria e teriam conseguido confirmar a veracidade da nota fiscal sobre a compra do piso emborrachado. Na loja, os deputados descobriram que o material foi pago pela Casa Militar do governo gaúcho.

Os deputados foram até a Casa Civil para verificar a origem dos móveis infantis. Segundo o PT, o chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, confirmou que os móveis estão na casa da governadora para uso dos netos dela e que serão devolvidos ao final do mandato.

Outro lado

O governo gaúcho explicou por meio de nota que é "totalmente legal" a compra de bens e serviços necessários para o local onde a governadora mora.

Em nota, o governo explica que os bens tiveram processo de compra e pagamento aprovados e estão registrados no patrimônio público, com termo de responsabilidade.

"Está claro, portanto, que a ação do governo é legal e transparente, amplamente documentada. A publicação distorcida de fatos, além de descabida e inaceitável, é mais uma oportunidade para confirmar a insidiosa tentativa de desqualificar o governo, agredir a tradição de honradez e correção dos gaúchos e contribuir para o enfraquecimento da imagem do Estado", diz a nota.