A OGX, empresa de petróleo do empresário Eike Batista, informou quarta-feira ao mercado descoberta gigante de petróleo que já havia sido realizada em parte pela Petrobras no passado. O bloco BM-C-43, localizado no sul da bacia de Campos, pode conter reservas de 500 milhões a 1,5 bilhão de barris, segundo a OGX. A área foi considerada subcomercial pela Petrobras, numa época em que o preço baixo do barril de petróleo ainda não justificava pesados investimentos.

Além do preço desfavorável, a qualidade ruim do óleo da região, segundo geólogos, teria inviabilizado a exploração do óleo na década passada, já que o petróleo muito pesado, da ordem de 15 graus API, costuma exigir investimentos maiores para ser extraído.

– Este bloco já foi descoberto pela Petrobras há cerca de quinze anos, por isso foi tão rápido estimar as reservas. Nenhuma empresa estima reservas em um mês com apenas um poço, sem conhecer a extensão da área – afirmou fonte ligada às atividades petrolíferas da região onde está localizado o bloco da OGX.

Blocos que já foram da Petrobras quando monopolista do setor passaram para as mãos da iniciativa privada nos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Procurada pelo Jornal do Brasil, a OGX confirmou que "há cerca de 30 anos, a Petrobras perfurou na área um poço subcomercial, que foi abandonado", mas que "os resultados são completamente diferentes do poços mencionado". A Petrobras não confirmou nem desmentiu a informação, até o fechamento desta edição.

No sul da Bacia de Campos, nas proximidades do BM-C-43, encontram-se também os campos de Peregrino, da norueguesa StatoilHidro, e Polvo, da norte-americana Devon. Ambos são comercialmente viáveis, mas, segundo dois especialistas, podem enfrentar problemas de produtividade por causa da viscosidade do óleo.

– Uma coisa são as reservas in place(no local de origem, abaixo da superfície), outra coisa é o quanto de óleo que será de fato aproveitado – comenta o especialista.

A OGX começou a perfurar o bloco BM-C-43 no dia 17 de setembro. A rapidez em anunciar as estimativas de reserva chamou atenção dos especialistas ouvidos por este jornal, mas nenhum duvida dos números da OGX. Avaliam, porém, que a qualidade do óleo, não informada pela empresa, enfraquece o valor da descoberta. A empresa não confirma a baixa qualidade do óleo ("o óleo foi enviado a laboratório para análise e só depois disso é que só pode definir seu grau API, razão gás/óleo e viscosidade") e os executivos comemoraram os resultados, conforme exposto no site da companhia.

– O Brasil é o país do presente e a OGX a prova de que vale a pena apostar na competência dos brasileiros e na riqueza e abundância dos nossos recursos naturais. Esses recentes sucessos vão pavimentar o caminho do nosso robusto crescimento econômico e igualdade social – disse Eike Batista, acionista controlador e Presidente do Conselho de Administração da empresa.

Vesúvio

O diretor-geral da OGX, Paulo Mendonça, por sua vez, dá pistas de como se chamará o conjunto de campos em descobrimento pela empresa: Vesúvio.

– OGX-1 (o poço perfurado) representa o começo de uma campanha exploratória altamente promissora. O sucesso deste poço confirma nossas expectativas positivas no grande potencial petrolífero da parte sul da Bacia de Campos e abre caminhos para revelar o complexo Vesúvio e demais objetivos em nossos blocos – comentou.

Paulo Mendonça, diga-se de passagem, era da área de Exploração e Produção da Petrobras. Foi um dos profissionais de peso escolhidos a dedo para integrar a equipe de Eike Batista.

– A criação de uma companhia de petróleo que em apenas dois anos iniciou seu processo de descoberta representa um marco na indústria e só foi possível com a motivação e talento de uma equipe diferenciada – completou Mendonça.

A perfuração no bloco BM-C-43 é a primeira em que a OGX é a operadora. Além desta, está em andamento a perfuração do bloco BM-S-29, na Bacia de Santos, em que a dinamarquesa Maersk opera (a OGX possui 65% de participação). No último dia 2 de outubro, a OGX anunciou que foram encontrados indícios de hidrocarboneto neste poço. Até o final do ano, a OGX estimar perfurar seis poços exploratórios. A OGX possui cerca de US$ 4 bilhões em caixa.

Vale

A euforia da descoberta acontece num momento estratégico para o empresário Eike Batista. O empresário tem interesse em comprar fatia da Vale que lhe daria o controle da mineradora. O presidente Lula estaria estimulando a operação, segundo fonte de um dos donos da mineradora.