Fatalidade. Assim definiu ao R7 o delegado Carlos Mezher, da delegacia de Polícia Civil no aeroporto internacional de São Paulo, localizado em Guarulhos (Grande São Paulo), a respeito da morte de uma criança de três anos com câncer terminal momentos antes do avião em que ele estava decolar rumo ao Ceará na manhã desta quarta-feira (14). Mezher afirmou que não cabe a Polícia Civil abrir uma investigação a respeito pois a médica que atendia o garoto há oito meses entregou o atestado de óbito e portanto a causa da morte já é conhecida. Ele era atendido no Gacc (Grupo de Assistência Criança com Câncer) de São José dos Campos (97 km de São Paulo).
José Paulo Rikson e o filho saíram de São José dos Campos e tinham como destino Juazeiro do Norte (CE). Entre as causas da morte escritas no atestado de óbito estava câncer de medula. O estágio da doença era tão avançado que o garoto tomava morfina, um potente medicamento usado para aliviar dores. Os dois embarcaram num voo da empresa aérea OceanAir na manhã desta quarta-feira por volta das 9h30. O avião ainda estava fazendo os procedimentos antes de levantar voo -taxiando na pista-quando o garoto passou mal e morreu. Os ocupantes do avião tiveram de retornar e o corpo foi retirado e levado para uma funerária. A empresa aérea informou que está prestando todo atendimento necessário à família e que irá custear a preservação do corpo (embalsamento) do corpo do menino e o envio dele e do pai.
Mezher disse que não foi feito o registro oficial -boletim de ocorrência- e nem será feita nenhuma espécie de investigação. Isso só seria feito, segundo o delegado, se ficasse comprovado que existiu algum erro por parte da empresa aérea, Infraero (estatal que administra os aeroportos no país) ou outro envolvimento no atendimento ao menino.
Após o embalsamado o menino será colocado em um caixão e levado num departamento de cargas de um avião. Até por volta das 16h40 não havia sido divulgada a data de enterro do corpo.
O médico Marcelo Milone Silva, diretor técnico do Gacc, disse que o câncer que provocou a morte do menino começou perto da barriga -entre o abdome e tórax. O tumor cresceu e começou a espremer o pulmão provocando problemas respiratórios. Silva disse que o garoto gostava de avião e queria ser piloto. A família chegou a conseguir até que ele fizesse um voo de helicóptero.
O médico informou que a família sabia que ele poderia morrer a qualquer momento e decidiram fazer a viagem para agradá-lo, já que gostava de avião, e falava sempre da terra onde nasceu, Juazeiro do Norte. Silva disse que a morte entristeceu funcionários e médicos do Gacc e elogiou a atitude da família.
- Transformaram [família] um momento doloroso em um aprendizado pois lutavam para que ele [garoto] tivesse dignidade.