O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, afirmou ontem, quarta-feira que a instituição não está preocupada apenas com o número do efetivo que fará a segurança das provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), mas com a "racionalidade" da distribuição do material.

Corrêa disse que há um grupo de técnicos trabalhando com o Ministério da Educação para fazer o planejamento de segurança e identificar possíveis falhas.

"[Segurança] Isso não é efetivo, é uma questão de capacidade. A capacidade da Polícia Federal hoje é de fazer uma análise do processo, onde tem gargalo de risco e analisar qual a demanda necessária. Eu não acredito que precisa de muito efetivo não, nós só precisamos é ter racionalidade", disse.

Segundo o diretor da PF, a nova distribuição das provas do Enem continua sendo de responsabilidade do MEC (Ministério da Educação), mas a corporação vai ajudar a avaliar possíveis mudanças, conferindo a viabilidade de um comboio para a segurança.

"A Polícia Federal vai observar qual é o processo logístico, a tramitação normal [do processo], quais são os passos e fazer uma análise de onde tem risco de falha e auxiliar o MEC nesse sentido. Se esse problema for de segurança física, não estiver no âmbito do contratado, pode ser preciso algum efetivo de Força Nacional ou segurança de algum comboio, como o transporte da Polícia Rodoviária Federal", afirmou..

Para Corrêa, as ações da PF vão ajudar a evitar interferências na realização das provas. Nós vamos analisar e construir com o Ministério da Educação para garantir que essas provas ocorram sem qualquer interferência. E a Polícia Federal vai estar controlando isso, auxiliando na questão da inteligência, algum dado de pessoas, quem possa estar interessado em tumultuar esse processo, disse.

O diretor da PF sustentou que os agentes não estarão nas salas de aula durante a aplicação do exame. "[A ação] É só no processo, na retaguarda", disse.

O novo Enem será realizado por uma força-tarefa formada pela Fundação Cesgranrio e pelo Cespe, ligado à UnB (Universidade de Brasília), com apoio dos Correios.

O governo decidiu que a nova prova do Enem será realizada nos dias 5 e 6 de dezembro. O MEC avaliava remarcar a prova nos dias 28 e 29 de novembro ou 5 e 6 de dezembro, mas decidiu por dezembro após a reunião entre Haddad e Genro. O horário do exame está mantido, com início às 13h.

O Enem seria aplicado a mais de 4,1 milhões de estudantes no último final de semana, mas teve que ser cancelado após o vazamento de parte do conteúdo da prova.