O Governo Federal teria terceirizado as análises técnicas de engenharia das obras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), com o objetivo de acelerar a construção das casas. Isso deve excluir do programa os 973 engenheiros e arquitetos concursados da Caixa Econômica Federal, que seriam encarregados das análises em grandes obras.

Um comunicado de 13 de agosto, obtido pelo jornal, determina que a análise técnica deve ser exercida por 3.682 funcionários terceirizados cadastrados pelo banco. Segundo a Folha, o comunicado informa que a Caixa tem um compromisso com o Governo Federal com essa determinação. O programa Minha Casa, Minha Vida prevê a construção de 1 milhão de casas, para famílias com renda até 10 salários mínimos. O programa poderá consumir subsídios de até R$ 24 bilhões, incluindo recursos da União e do FGTS.

A terceirização da avaliação de obras não seria uma novidade, pois a Caixa já teria recorrido a este método porque o quadro fixo de engenheiros e arquitetos não daria conta das demandas. Uma política da Caixa, entretanto, implicaria na delegação de análises apenas de obras sem grande impacto social, o que não seria o caso dos grandes programas federais como as obras do PAC e do Minha Casa, Minha Vida.

Em casos urgentes, informa a Folha, as obras seriam monitoradas por um engenheiro contratado pela Caixa, mas o comunicado atribuiria esse monitoramento apenas aos gerentes e supervisores técnicos. O jornal afirma que as mudanças foram recebidas com protestos pelos engenheiros do quadro fixo, que alegam sobrecarga de trabalho dos gerentes e esvaziamento das suas funções, além de apontar um possível "descontrole no uso de dinheiro público".