"João Pessoa como cidade verde é uma grande mentira. Acabou isso faz tempo", diz o professor doutor em gestão territorial da UFPB, Sérgio Alonso. "O verde desta cidade foi vendido para a especulação imobiliária", destaca. Na sua avaliação, a capital, assim como a maioria das cidades, tornou-se um espaço para a geração de lucros sem levar em consideração a qualidade de vida. E aponta: "João Pessoa caminha para o caos".

Sérgio Alonso - que também é vice-coordenador do curso de pós-graduação em geografia da UFPB - citou os exemplos de Recife (PE) e Natal (RN) para explicar o processo de transformação urbana pelo qual vive João Pessoa. "Houve uma saturação desses dois mercados em virtude do comprometimento financeiro dos investidores, ou seja, quem pode comprar um apartamento de luxo em Boa Viagem já comprou, aí segue para Natal, que ainda recebe muitos europeus com esse propósito. Mas, agora chegou a vez de João Pessoa", explicou.

A previsão de Alonso é que o Bairro São José seja totalmente "engolido" por construções de edifícios como expansão do Bairro de Manaíra. O problema gerado pelos especuladores imobiliários será a degradação do meio ambiente. Assunto ignorado pela maioria que visa o lucro. "Não há como Manaíra crescer se não invandir a comunidade São José. Porque Tambaú já ocupou o Jardim Luna", afirmou. Na visão de Alonso, Manaíra e Tambaú tornou-se um sub-centro sofisticado. "Se não houver um planejamento sério e eficaz do controle da construção civil, essas áreas vão virar um caos em menos de 10 anos", previu.

Embora o crescimento econômico seja favorável às cidades, o problema da capital é a falta de estrutura para suportar o adensamento populacional que vem acontecendo em ritmo acelerado. Em 1991, João Pessoa tinha 497.600 habitantes. Esse número pulou para 674.762 em 2007. Os dados são do IBGE. Como consequência, a qualidade de vida das pessoas cai. Para planejar a ocupação do solo, o Plano Diretor de Ordenamento Territorial é o instrumento maisimportante para adequar os espaços de acordo com o adensamento populacional. "Se nós formos analisar sob a ótica de 10 anos atrás, João Pessoa já perdeu e muito em termo de qualidade de vida. Antes, era possível fazer o trajeto entre o bairro de Manaíra e UFPB em apenas 5 minutos. Hoje não é mais possível. Fora a violência. Não é mais a mesma coisa quando você sai de casa para comprar o seu pãozinho na padaria, o medo de ser assaltando lhe acompanha. Tudo é resultado do adensamento populacional", ressaltou Alonso.