Oito estudantes, com idades entre 13 e 16 anos, são acusados de cobrar dinheiro de outros alunos para não agredi-los, nos municípios de Rincão e Américo Brasiliense, no interior de São Paulo. As acusações incluem casos de agressão e ameaças de morte. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
Do grupo de quatro meninas e quatro meninos, seis adolescentes foram internados em unidades da Fundação Casa. A Justiça ainda vai ouvir duas garotas. As identidades dos suspeitos não foram divulgadas.
As ameaças acontecem há mais de um ano, de acordo com o Ministério Público Estadual. As internações foram determinadas depois que duas mães denunciaram ao MP que seus filhos apanharam dos adolescentes e que um deles entregou até R$ 200 para não apanhar.
De acordo com a Folha, o promotor Carlos Alberto Melluso Júnior também reuniu denúncias de outros pais que reclamaram que os filhos foram agredidos mesmo após o pagamento do "pedágio".
Em Américo Brasiliense, há 15 dias, uma menina de 14 anos foi agredida por outras quatro adolescentes com socos na cabeça e no corpo nos arredores da escola. A vítima e as agressoras estudavam no estabelecimento à tarde. Segundo relato da avó da vítima ao jornal, a menina chegou em casa carregada por outros cinco colegas.
Duas das quatro supostas agressoras são irmãs, com idades entre 14 e 15 anos. Segundo funcionários da escola citados pela Folha, os motivos das agressões podiam variar entre o não-pagamento do "pedágio" ou o uso de roupas novas.
Em Rincão, quatro adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, foram enviados para a unidade de internação provisória de Ribeirão Preto, na tarde de terça-feira. Segundo o promotor, a mãe de um menino contou que o filho foi obrigado diversas vezes a pagar para não ser agredido e que, na última vez, o valor cobrado chegou a R$ 200.
Especialista aponta falta de estrutura como causa de violência
Segundo avaliação de Sérgio Kodato, professor de psicologia social e coordenador do Observatório da Violência da USP de Ribeirão Preto (SP), o aumento dos casos de agressão entre estudantes em cidades menores reforça a tese da banalização da violência escolar.
Segundo entrevista do especialista para a Folha, embora estejam localizadas em cidades menores, há escolas com número elevado de alunos, o que acaba reproduzindo o cenário visto em municípios maiores. Kodato ressalta ainda que a falta de estrutura em muitas escolas, tanto de ordem pedagógica quanto física, propicia ambientes violentos.
Para Kodato, a estrutura limitada acaba criando um grupo de alunos excluídos do processo pedagógico. Ainda de acordo com o professor, esses alunos precisam mostrar que estão inseridos na vida escolar, ainda que de maneira violenta.