Após a decisão de quinta-feira (17) dos funcionários dos Correios, que votaram por continuar em greve por tempo indeterminado, a direção da empresa afirmou que vai entrar com pedido no Tribunal Superior do Trabalho (TST) para que a paralisação seja considerada abusiva. Em assembleias regionais, os grevistas rejeitaram a segunda proposta, de 9% de reajuste, feita pela diretoria dos Correios.

Dos 35 sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), 21 votaram por rejeitar a primeira proposta apresentada na quarta-feira (16) pela empresa. Entre outros pontos, os funcionários exigem reajuste salarial de pouco mais de 40%. Ontem a estatal ofereceu reajuste de 9% em acordo bianual e aumento no valor do vale-refeição de R$ 20 para R$ 21,50 por dia, entre outras propostas.

Segundo o coordenador do comando de negociação, Nivaldo Schmucker, o número mínimo de votos - 18 do total de sindicatos - para decidir que a greve nacional seja mantida já foi alcançado, apesar de que nem todos os sindicatos realizaram assembleia.

Os sindicatos do Distrito Federal, Paraná, Goiás, São Paulo (capital), Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Vale do Paraíba (SP) e Campinas (SP) foram alguns dos que rejeitaram a proposta. Já na Bahia, Rio Grande do Norte, Santa Maria (RS), Bauru (SP) e Ribeirão Preto (SP), a decisão foi de aceitar a proposta e os funcionários já retornaram ao trabalho. Estados como Rio de Janeiro, Acre e Mato Grosso do Sul devem realizar assembleia ainda nesta sexta-feira (18).

Segundo os Correios, os funcionários que estão parados terão o ponto cortado. Em comunicado, a diretoria afirmou que 31% dos 116 mil empregados não comparecerem ao trabalho nesta sexta, comprometendo o prazo de entrega das correspondências. Na nota, a empresa afirma que distribui diariamente 33 milhões de correspondências e 770 mil encomendas. Com a greve, cerca de 20 milhões de correspondências e 243 mil encomendas deverão ser entregues com atraso.