A Justiça do Paraná 'quebrou', nesta segunda-feira (14), o sigilo do processo que apurou o ataque a um casal em uma trilha na praia de Matinhos (PR), em 31 de janeiro deste ano. O advogado que representa os familiares das vítimas, Elias Mattar Assad, apresentou, nesta quarta-feira (16), as imagens dos vídeos gravados na audiência, que aconteceu em 16 de junho, para mostrar como a polícia chegou ao suspeito que está preso.

O crime ocorreu quando um assaltante matou o rapaz e baleou a menina, que ficou 18 horas na mata até ser socorrida por uma equipe dos bombeiros. Inicialmente, a polícia acreditava que o homem se ofereceu para guiar os jovens. Depois de ouvir depoimentos e cruzar as informações recolhidas, a polícia também trabalhou com a hipótese de o criminoso ter abordado os jovens para estuprar a moça.

 

"As famílias das vítimas entendem como oportuna a remoção do sigilo de Justiça para esclarecimento da opinião pública sobre o caso. Eles estão conscientes de que o caso foi satisfatoriamente esclarecido", disse Assad.

 

Na ocasião da audiência, foram ouvidas 14 testemunhas, inclusive a estudante e o homem apontado como autor do crime pela polícia. O delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura, que comandou as investigações, também prestou depoimento e explicou como a polícia prendeu o suspeito.

 

O vídeo apresentado pelo advogado mostra imagens de um dos suspeitos, que chegou a confessar ser o autor do crime, mas acabou voltando atrás, após acareação entre ele, a vítima e o outro acusado. Nas imagens do depoimento que prestou, o primeiro suspeito disse que foi torturado pela polícia para confessar, mas não apresenta detalhes sobre isso.

Os pais do namorado da estudante viram as imagens dos depoimentos pela primeira vez nesta quarta-feira. “A gente prefere acreditar no trabalho do Ministério Público e na Justiça do Paraná”, disse a mãe.

 

Habeas corpus
O Tribunal de Justiça do Paraná negou, em 6 de agosto deste ano, o pedido de habeas corpus para libertação do acusado de atacar o casal de namorados em Matinhos. O homem, que permanece preso na Casa de Custódia de Curitiba, é suspeito de matar um rapaz e balear uma estudante.


O acusado foi preso em fevereiro e foi reconhecido pela vítima. Em junho, outro suspeito que estava com a arma do crime foi preso, mas ele não foi reconhecido pela estudante e acabou liberado.

 

Defesa

O advogado do suspeito, Mário Lucio Monteiro Filho, disse que a defesa encara a prisão como errônea. “Estão com um inocente na cadeia e um bandido a solta".