“A guerra econômica é o meio eficaz para combater os criminosos”. As palavras do procurador da República Vladimir Aras, que se assemelham a opiniões de outros especialistas em lavagem de dinheiro que revelaram que o crime organizado, que nesta semana instaurou o terror em Salvador, não será vencido apenas com operações de repressão. Segundo eles, é preciso atingir as contas dos criminosos.
Sufocar financeiramente estas quadrilhas é tão essencial quanto transferir os chefes para prisões federais e reprimir os pontos de vendas. Quem aponta é a promotora Ana Rita Nascimento. Ela coordena o Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual (Gaeco).
Contudo, falta expertise a policiais e membros do MPE para investigar as intrincadas e vultosas movimentações financeiras do tráfico de drogas. Apenas o comércio clandestino de cocaína gera US$ 50 bilhões por ano, em todo mundo, de acordo com pesquisa divulga pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (Unodc).
O déficit de formação de policiais e de promotores deve ser amenizado com a instalação na Bahia de dois laboratórios de tecnologia contra a lavagem de dinheiro. O da polícia baiana deve ser inaugurado dentro de um mês. O prazo foi estimado pelo secretário da Segurança Pública (SSP), César Nunes. “Estamos reformando o prédio onde vai ser instalado o laboratório, principalmente a sua rede elétrica”, disse o secretário, que preferiu não dizer onde será instalado.
Dois delegados já foram treinados para atuar na unidade-modelo. Em síntese, o laboratório servirá também para propor soluções tecnológicas para o combate à lavagem de dinheiro. Será usado um software com a capacidade de cruzar rapidamente dados recolhidos em investigações financeiras, a exemplo de depósitos bancários, dados cadastrais de empresa e informações de bolsas de valores.
O investimento é de R$ 2,1 milhões, sendo que R$ 681,85 mil são do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça. A verba será usada para a compra de equi pamentos já licitados. O MP-BA deve assinar convênio com Ministério da Justiça para instalação do laboratório.