O antigo sobrado dos Loureiros, pertencente hoje a Fundação Casa do Penedo, sofreu no final da tarde deste domingo (23) o início do que poderia ser uma grande perda para a memória cultural da região ribeirinha do Baixo São Francisco.
O prédio que há décadas aguarda os investimentos necessários para sua reforma e transformação num centro cultural, chamou a atenção de vizinhos, quando uma fumaça preta começou a subir, dando conta de que alguma coisa queimava no interior do prédio. Os vizinhos acionaram o Corpo de Bombeiros e após a chegada dos homens do 6º GBM foi constatado que centenas de livros estavam em chamas. Um prejuízo que ainda não foi calculado pelos técnicos da Casa do Penedo.
A Polícia Civil também foi acionada e levantou a hipótese de um incêndio criminoso, já que vestígios levaram a crer que viciados em maconha usavam o local como ponto de encontro para o consumo da droga. Nas dependências do Chalé também foram encontrados colchonetes e resto de quentinhas, sendo pensado inclusive pela polícia a possibilidade de fugitivos da delegacia de Penedo estarem usando o local como esconderijo.
Entre alguns títulos queimados estão clippings de acontecimentos que marcaram a vida política do Brasil nas décadas de 60 e 70. O local onde foi incendiado foi interditado pelo Corpo de Bombeiros e os técnicos da Casa do Penedo agora contabilizam os prejuízos.
Chalé dos Loureiros
Foi construído no final do século XIX, pelo senhor J.A. Loureiro, engenheiro responsável pelas obras de implantação do serviço de abastecimento d’água da cidade. Quando de sua edificação, era um prédio de vanguarda no país, tanto no que respeita ao estilo quanto à tecnologia utilizada. Os prédios assemelhados existentes no Brasil datam, via de regra, das três primeiras décadas do século XX.
Arquitetonicamente, insere-se no ecletismo. É um chalé urbano de influência francesa, no qual se integram elementos decorativos do classicismo. Ainda é de se sublinhar, por sua peculiaridade, a simetria da fachada principal, resultante de duas varandas laterais, e não apenas, como viria a tornar-se comum em casa do tipo “chalé”. Essa peculiaridade de planta confere elegância ao prédio e harmoniza-se com o neoclassicismo de suas portas e janelas.





