Apesar da queda constante da arrecadação federal, o governo enviou ao Congresso projeto pedindo abertura de crédito orçamentário de R$ 77 milhões para a compra de um prédio em Londres para instalar a chancelaria da embaixada do Brasil naquela cidade. Na justificativa do projeto, o governo diz que a chancelaria funciona atualmente em dois prédios arrendados, sendo que o contrato de locação de um deles não deverá ser renovado por decisão do proprietário.

Parlamentares da oposição disseram que foram surpreendidos e que vão tentar impedir a aprovação do projeto. E, embora governistas defendam a compra do prédio - alegando que, no futuro, a compra trará economia ao governo com aluguéis -, num primeiro momento, até o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), incomodado com a falta de liberação de recursos de emendas parlamentares, criticou a prioridade do gasto no momento:

- Não há dinheiro para projetos de obras em pequenas cidades e, de repente, surge um dinheiro para a embaixada em Londres. Entendo que é importante para a diplomacia, mas há outras prioridades. Pode ser uma prioridade, mas o Legislativo tem as suas.

O governo diz que a alternativa seria a aquisição de um prédio de 1.645 metros quadrados, que passou por recente reforma de modernização, com espaço suficiente para instalar a chancelaria brasileira. O outro imóvel alugado não comporta o "quadro de pessoal, equipamentos e mobiliário essenciais ao desenvolvimento dos serviços diplomáticos". O crédito irá para o Ministério de Relações Exteriores, mas quem assina a justificativa é o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

O valor venal do imóvel a ser comprado é de 23 milhões de libras esterlinas (R$ 77 milhões). Segundo a justificativa, o valor não comprometeria o superávit primário ou as contas públicas porque sairia de saldo apurado no Balanço Patrimonial da União relativo a 2008. Além disso, poderia haver retorno aos cofres de 4 milhões a 6 milhões de libras esterlinas do valor residual do imóvel em uso, cujo contrato expiraria em 2046.

O vice-líder do governo no Congresso, deputado Gilmar Machado (PT-MG), defendeu a medida e lembrou que o Brasil precisa sempre fortalecer sua presença no exterior.

- Parece num primeiro momento um gasto, mas depois tem uma economia. Foi que nem na compra do avião (presidencial), hoje ninguém mais reclama - disse Machado.

O presidente Luiz Inácio Lula Silva prometeu dar na terça-feira uma solução para aplacar as queixas de parlamentares em relação às emendas. O vice-líder do DEM na Câmara, deputado Paulo Bornhausen (SC), considerou a proposta um deboche.

- É virar as costas para o povo brasileiro - disse Bornhausen.