A Romênia, elogiada como um país pobre capaz de controlar sua epidemia de Aids, enfrenta hoje a falta de drogas antirretrovirais por causa da crise econômica global. Pacientes têm apelado ao presidente, Traian Basescu, para obter os medicamentos.
A epidemia de Aids na Romênia é incomum. Somente cerca de 12 mil pessoas têm o vírus, das quais 9 mil estão recebendo tratamento – muitas delas adolescentes e jovens adultos infectados por transfusões de sangue e agulhas sem higienização quando eram bebês, no final da década de 1980.
A população dos orfanatos cresceu quando o presidente Nicolae Ceausescu, numa tentativa de aumentar os índices de natalidade, passou a considerar ilegal o controle de natalidade e o aborto. Com pouco dinheiro para alimentos, vitaminas ou suprimentos, orfanatos públicos miseráveis realizavam “micro-transfusões” de sangue adulto (de doadores remunerados) como suplemento nutricional, e as enfermeiras reutilizavam as agulhas de vacinação.
Com pouco dinheiro para alimentos, orfanatos públicos miseráveis realizavam transfusões de sangue adulto como suplemento nutricional
Ceacescu foi deposto e executado em 1989. Os orfanatos começaram a se esvaziar, mas centenas de crianças morreram nos anos seguintes. Em 2001, os preços dos medicamentos aumentaram acentuadamente. Em 2004, com ajuda de doadores estrangeiros, o governo declarou que praticamente todos os pacientes com Aids estavam sendo tratados, com subsídios para alimentação e transporte. Agora, muitos dispõem de pílulas para apenas poucos dias.
“Nossos médicos maravilhosos trabalharam tanto para manter essas crianças vivas durante tanto tempo. Seria trágico se elas corressem perigo por causa da falta de anti-retrovirais”, disse Mary Veal, americana que trabalhou durante anos com pacientes de Aids em hospitais da Romênia.