De acordo com o Patrus, as visitas dos gestores às casas dessas famílias mostraram que dois terços delas viviam conforme o declarado. O restante tinha, na maioria dos casos, problemas de ordem formal, como erros cadastrais, e não material, que configuraria propriamente uma tentativa de fraude.
A nova ferramenta cruza informações repassadas pelos gestores municipais do programa com dados do cadastro único do ministério, facilitando a identificação de inconsistências apontadas pelo TCU em auditorias, como subdeclaração de renda e beneficiários que foram eleitos para cargos públicos, o que impede a permanência no programa. O ministro preferiu não comentar as conclusões do TCU, que colocaram 835 mil famílias atendidas pelo programa sob suspeita
– Não nos cabe avaliar o trabalho do tribunal. Temos respeito por ele e procuramos seguir suas orientações – disse o ministro.
Segundo os dados apresentados por Patrus, foram constatadas situações em que bens de outras pessoas estavam registrados em nome de beneficiários, o que gerou o apontamento do TCU. Nesses casos, de acordo com o ministro, quando a situação de pobreza da família ficou comprovada, os beneficiários foram mantidos no programa e a declaração indevida de bens foi encaminhada ao Ministério Público. As atualizações também servirão, de acordo com o ministério, para impedir que esses cadastrados do Bolsa Família tenham o benefício bloqueado em novembro ou totalmente cancelado em fevereiro de 2010.