A pacificação pregada pelo presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), pode encontrar um duro obstáculo a partir desta segunda-feira diante das novas denúncias contra o senador. De acordo com reportagem do Estado de S. Paulo, desde domingo, uma empreiteira teria pagado dois apartamentos para família Sarney no bairro dos Jardins, área nobre de São Paulo.
Segundo a matéria, “há três décadas, a família Sarney tem como endereço em São Paulo o edifício Solar de Vila América, situado na Alameda Franca, nos Jardins. Até 2006, era um apartamento apenas. Hoje, além do apartamento número 82, comprado em 1979, a família tem a sua disposição outras duas unidades. Os apartamentos 22 e 32 foram comprados há três anos. São usados pelos Sarney, mas estão registrados em nome de uma empreiteira, que cuidou da negociação e pagou os imóveis”
O negociador dos imóveis seria o empresário Rogério Frota de Araújo, amigo dos filhos do presidente do Senado, cuja empreiteira, a Aracati Construções, Assessoria e Consultoria Ltda, teria bancado o pagamento com depósitos a dois ex-moradores. A Aracati agora é Holdenn Construções, Assessoria e Consultoria, nome formalmente mudado nos registros da Receita Federal. A Holdenn mantém grandes negócios com a Eletrobrás, em construções de termelétricas, e foi, segundo o jornal, beneficiada recentemente em programas de isenções fiscais junto ao Ministério de Minas e Energia – cujo ministro é Edison Lobão, apadrinhado por Sarney.
“Num dos apartamentos, o 22, mora um neto do presidente do Senado, Gabriel José Cordeiro Sarney, filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA). O outro apartamento, o 32, costuma abrigar assessores e convidados dos Sarney, mas também hospeda a família. Em junho passado, por exemplo, foi utilizado pelo próprio senador , em viagem a São Paulo para acompanhar a recuperação da filha, Roseana, operada para correção um aneurisma cerebral”, diz a reportagem do Estadão.
A reportagem localizou em Porto Alegre o economista Felipe Jacques Gauer, de 46 anos. “Ele conta que, assim que decidiu vender o apartamento 22, após mudar de São Paulo para a capital gaúcha, foi contatado por um neto de Sarney. Segundo Gauer, foi José Adriano, filho mais velho do deputado Zequinha, quem o procurou, por telefone. Estava interessado em comprar o imóvel”.
A compra do apartamento 32 teria sido feita com o empresário Sidney Wajsbrot, 43 anos, dono de uma fábrica de plásticos em Guarulhos. Nos dois casos, em diferentes épocas, o mesmo roteiro: uma pessoa ligada à empreiteira encontrou os donos em um aeroporto de São Paulo, onde assinavam os contratos e recebiam a confirmação dos depósitos.
O neto de Sarney, José Adriano, filho de Zequinha, que recentemente foi alvo de denúncias por operação de crédito no Senado, morou por um ano num dos imóveis.
Defesa
O deputado Zequinha Sarney (PV-MA) informou, em nota, que o apartamento 22 é de sua propriedade há anos. E negou que os outros dois apartamentos sejam da família.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virílio (AM), disse que Sarney terá de explicar também a denúncia.
Apartamentos complicam Sarney
17/08/2009, 00:57 - Brasil/Mundo
Por eduardocardeal
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