O tribunal geral e revolucionário de Teerã apresentou neste sábado a acusação contra os detidos nos protestos ocorridos no país após a eleição presidencial de 12 de junho, qualificados de "uma tentativa infrutífera para provocar um golpe de estado de veludo", segundo a televisão pública iraniana.
O órgão acusou os processados de atacar com armas brancas e de fogo centros militares e edifícios públicos, de destruir bens, de provocar o terror entre os cidadãos e de ter relações com os grupos de oposição, como o dos "mujahedines do povo".
As acusações incluem também agressões aos policiais e a outras pessoas, assim como dar informações para os meios de comunicação estrangeiros e distribuir cartas de conteúdo contrário à República Islâmica do Irã.
O vice-procurador do tribunal discursou na primeira sessão do julgamento que começou nesta manhã às 9h10 (3h50 de Brasília), recitando versículos do Alcorão.
Entre os detidos, estão importantes ativistas políticos membros da Organização dos Mujahedines da Revolução Islâmica, próxima ao ex-presidente Mohamad Khatami, e o partido Frente da Participação, próximo a outro ex-governante iraniano, Akbar Hashemi Rafsanjani.
No tribunal revolucionário de Teerã, estão sendo processados cerca de cem detidos pelas manifestações que ocorreram no Irã após a eleição, qualificada de fraudulenta pelo candidato reformista Mir Hossein Mousavi.
Protestos
O presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito com cerca de 63% dos votos contra 34% de Mousavi.
A votação foi seguida por semanas de fortes protestos da oposição por fraude. Os protestos, enfrentados com violência pela polícia e a milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, deixaram ao menos 20 mortos, dezenas de feridos e centenas de presos.
O Conselho dos Guardiães do Irã, órgão responsável por ratificar o resultado do pleito, aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos para acalmar a oposição, mas confirmou a reeleição de Ahmadinejad depois de afirmar que a fraude em cerca de 3 milhões de votos não era suficiente para mudar o resultado das urnas.
Entre os detidos, estão jovens, políticos reformistas e ativistas de direitos humanos.
Mousavi, que recebeu o apoio de Khatami e Rafsanjani durante as eleições, foi na última quinta-feira (30) junto com outro candidato reformista derrotado, Mehdi Karubi, a um cemitério ao sul de Teerã para homenagear as vítimas das manifestações.
O ato terminou em um enfrentamento com a polícia iraniana que levou à detenção, segundo um alto comando militar, de 50 pessoas acusadas de ter provocado distúrbios.