As inglesas Shanti  Andrews e Rebecca Turner, ambas de 23 anos, vão responder em liberdade ao processo no qual elas são acusadas de tentativa de golpe no Rio.  O desembargador Sérgio Verani, da 5ª Câmara Criminal, concedeu uma liminar nesta sexta (31) ao pedido de habeas corpus.  

A decisão será encaminhada à Secretaria de Administração Penitenciária para que as duas sejam libertadas.

A liminar é uma medida antecipada do pedido feito pelo advogado das acusadas. O julgamento definitivo do habeas corpus ainda não tem data. Elas devem ser libertadas no sábado (1).

O advogado das jovens, Renato Tonini, entrou com pedido na quinta-feira (30), mesmo dia em que o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio, decidiu manter a prisão das britânicas.

Segundo o Tribunal de Justiça, o juiz deverá intimar as turistas para uma audiência, que deverá ser realizada na próxima semana. As inglesas podem cumprir pena de 1 a 5 anos de prisão pelo crime de estelionato.

Turistas foram transferidas

As turistas foram transferidas na manhã desta sexta para o presídio Nelson Hungria, no conjunto penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio. Elas teriam aplicado um golpe contra a seguradora das bagagens.

Na quarta-feira (29), o promotor Juan Luiz Souza Vazquez ofereceu denúncia contra as inglesas e recomendou a continuidade da prisão e a não concessão do direito de fiança para as turistas.

As inglesas estavam presas desde segunda-feira (27) na carceragem de Mesquita, na Baixada Fluminense. 

Promotor quer punições severas

Segundo o promotor, a punição para Shanti e Rebecca deve ser rígida para que se evite a fuga delas para a Inglaterra. Vazquez ressaltou que, apesar do advogado das jovens entregar os passaportes, as inglesas podem recorrer ao consulado do Reino Unido pedindo a emissão de um documento que autorize a viagem de retorno.

“A prisão é necessária, até porque não existe um acordo entre o Brasil e a Inglaterra que possibilite o cumprimento da pena no país de origem das turistas”, informou o promotor.

Vazquez explicou ainda que como elas são turistas e não possuem endereço fixo no Brasil, seria ainda mais difícil a Justiça localizá-las para entregar as intimações. As jovens, que afirmaram ser formadas em Direito, não apresentaram documentação que comprovasse o nível superior e por isso estão presas em uma cela comum. 

Como aconteceu a prisão

Shanti e Rebecca foram presas após procurarem, na madrugada de segunda-feira (27), a Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat) para relatar o furto de objetos pessoais. Os policiais desconfiaram da versão das inglesas e foram até ao albergue onde elas estavam hospedadas, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, e constataram que todos os itens estavam no local.

De acordo com o promotor, os documentos apresentados na delegacia mostraram que as jovens quiseram aplicar um golpe contra a seguradora das bagagens. Segundo ele, o valor dos bens declarados pelas jovens como furtados era compatível com o que elas iriam receber do seguro, uma quantia de um pouco mais de mil libras, o que representa cerca de R$ 4 mil.

O advogado das inglesas alegou que houve um “mal-entendido” e que elas teriam se confundido ao relatar os itens furtados.