Dos quinze senadores titulares que compõem o Conselho de Ética, apenas cinco são da oposição. Antes de iniciada a eleição, os líderes do DEM e do PSDB anunciaram que os senadores da oposição votariam em branco.
O primeiro desafio do novo Conselho de Ética, que teve sua composição aprovada desta terça-feira, será analisar três denúncias e duas representações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Pesam contra Sarney a responsabilidade sobre a edição de 663 atos secretos no Senado e uma acusação de suposto desvio de dinheiro pela fundação que leva seu nome.
Paulo Duque é aliado do líder do PMDB, senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O presidente do Conselho de Ética tem a prerrogativa de rejeitar sumariamente as denúncias e representações que chegam à comissão, assim, a estratégia do partido é colocar um aliado no cargo para minar um eventual processo contra Sarney.
Paulo Duque agendou uma nova reunião do Conselho para o dia 5 de agosto, quarta-feira, às 15h, para eleger o vice-presidente da comissão. Neste mesmo dia, os senadores deverão iniciar as discussões sobre as denúncias.
Arthur Virgílio, líder tucano, disse em discurso, porém, que irá recorrer sempre que a decisão do conselho não for ao encontro de suas expectativas. “Estamos preparados burocraticamente e politicamente. Recorrer-se ao plenário do conselho e em seguida ao plenário da casa, quantas vezes forem necessárias”, disse.
Conselho parado
O Conselho de Ética do Senado está inoperante desde março deste ano, mas teve sua nova composição aprovada nesta terça-feira, no plenário do Senado. Os conselheiros terão a missão de analisar três denúncias e duas representações apresentadas contra o presidente do Senado Federal, José Sarney.
Na manhã desta quarta-feira, o senado Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), que tinha lançado sua candidatura ao cargo, renunciou ao posto de integrante do Conselho.