Recebido com euforia no país, o primeiro presidente negro dos EUA planeja ainda fazer um esperado discurso no Parlamento de Gana que definirá a política dos EUA para o continente africano. Em sua passagem relâmpago pela África, onde passará menos de 24 horas, Obama deve enfatizar que a chave para a prosperidade é democracia e responsabilidade e que o continente não está isolado do mundo. Filho de um queniano, o presidente americano deve ainda ressaltar seus laços ancestrais com o continente.
A agenda de Obama em Acra inclui uma visita ao Castelo do Cabo da Costa, onde escravos partiam para as Américas até o século 19. Nenhum evento público está planejado para Obama no país, em parte por medo de que a confusão na visita do ex-presidente Bill Clinton se repita. Em 1998, Clinton quase causou uma tragédia ao falar para 500 mil ganenses. Na confusão, ele chegou a pular na multidão - para o desespero de seus seguranças -, tentando ajudar uma mulher.
Segundo o jornal americano The Guardian, a Casa Branca deve apontar em breve um enviado especial para a África Central com o objetivo de lidar com uma rede de conflitos que atinge a República Democrática do Congo (ex-Zaire) há 15 anos e tem desestabilizado a região. Washington acredita que o sucesso ou o fracasso de um dos maiores países do continente pode determinar o futuro do continente.
As reformas econômicas em Gana, país produtor de cacau e ouro - e que deve começar a produzir petróleo no ano que vem - trouxeram investimentos e crescimento, antes do impacto da crise financeira global. Obama deve deixar uma mensagem sobre a importância da boa governança, pois Gana é um país que desafia estereótipos de um continente sempre em conflito e em crise. No entanto, o continente africano não tem sido a prioridade principal de uma administração preocupada com a crise financeira global.