O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou de censura o
projeto de lei de autoria do senador Eduardo Azeredo
(PSDB-MG) que endurece as penas para crimes cometidos na
internet, durante participação no 10º Fórum Internacional de
Software Livre (Fisl), em Porto Alegre, nesta sexta-feira (26).
“Essa lei que está aí não visa corrigir abuso de
internet. Na verdade, quer fazer censura. Precisamos
responsabilizar as pessoas que trabalham com internet, mas não
proibir ou condenar. É interesse policialesco fazer uma lei que
permite que as pessoas adentrem a casa de outras para saber o
que estão fazendo, até seqüestrando os computadores. Não é
possível”, disse Lula, após ouvir apelos da platéia para vetar a
lei, segundo reportagem da "Agência Brasil".
O projeto, que ainda tramita no Congresso
Nacional, prevê que quem obtiver ou transferir dado ou
informação disponível em rede de computadores, dispositivo de
comunicação ou sistema informatizado sem autorização do legítimo
titular, poderá ser preso. Para professores de comunicação e
organizações ligadas à internet, atividades corriqueiras no
mundo virtual, como baixar uma música ou um filme, poderão ser
interpretadas como crime.
Em ocasiões anteriores, Azeredo alegou que o objetivo não é
controlar o uso da internet, e sim punir crimes cibernérticos,
como cópia de cartões de crédito e senhas. O texto obriga ainda
que os provedores on-line guardem, por três anos, os registros
de acesso e encaminhem esses dados à Justiça, quando solicitados
para investigação. Com essas informações, a ideia é chegar ao
endereço de um criminoso.
Liberdade
De acordo com a Reuters, a um mês do lançamento de um blog pelo
Planalto, o presidente Lula afirmou nesta sexta que o país nunca
viveu um ambiente de liberdade de informação tão grande e,
acredita que com o acesso cada vez maior à internet, a imprensa
tradicional está perdendo poder para os novos meios.
"Finalmente este país está tendo o gosto da
liberdade de informação. Estamos vivendo um momento
revolucionário da humanidade em que a imprensa já não tem o
poder que tinha há alguns anos. A informação já não é mais uma
coisa seletiva em que os detentores da informação podiam dar
golpe de Estado", disse Lula em seu discurso no 10º Fisl,
informou a Reuters.
Durante o fórum, Lula e a ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff, fizeram um balanço dos investimentos federais
nas áreas de implantação de software livre e programas de
inclusão digital em órgãos públicos e em programas para a
sociedade.
"Podem ficar certos que neste governo é
proibido proibir. O que nós fazemos é discutir. Os empresários
sabem que nós discutimos sem rancor e sem mágoa", disse o
presidente, ao defender a liberalização do software,
acrescentando que o governo calcula uma economia de R$ 370
milhões com a implantação do software livre desde o início do
governo Lula, em 2003.
Inclusão
Ao lembrar que nesta semana inaugurou no Paraná a ligação de número 2 milhões do programa Luz Para Todos, o presidente disse que 83% dos novos usuários ligados à rede elétrica adquiriram televisão. Outros 79% compraram geladeira, segundo Lula, mas não foi feita pesquisa sobre a compra de computadores entre esses consumidores.