Com uma bandeira do seu time do coração sobre o caixão, o brasileiro Lucas Gagliano, de 23 anos, comissário de bordo do voo AF 447 da Air France, foi enterrado às 16h40 desta quinta-feira (25), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

As homenagens de amigos e familiares não se restringiram ao Botafogo. Fotografias e cartazes enfeitavam a capela onde seu corpo foi velado e um poema escrito em sua homenagem foi distribuído aos cerca de 150 presentes. Funcionários da Air France, usando uniforme da empresa, também compareceram à cerimônia.

“Nós fomos prestigiados duas vezes. A primeira por temos conhecido uma pessoa tão maravilhosa. E a segunda por Deus tê-lo nos devolvido para que a gente pudesse nos despedir e ver esse sorriso que tenho certeza que nunca se apagará. Lucas, você realmente não era desse mundo. Tinha que ter morrido perto do céu para chegar mais rápido”, disse o professor Fernando Gama, de 51 anos, no momento do sepultamento. 

Aluno estudioso

Gama foi um dos professores de Lucas durante o ensino fundamental no tradicional Colégio São Bento, no Centro do Rio. Foi lá, diz o professor, que o rapaz adquiriu sua fluência em francês, uma das seis línguas que falava.

“Ele era trabalhador, batalhador, da geração saúde. Era também estudioso, religioso demais, fazia a prova com um santinho do lado. Tinha uma sede de vida, de aproveitar ao máximo, de viajar, de conhecer outras culturas”, contou o professor.

Segundo Jorge Luís, tio de Lucas, o jovem era apaixonado por aviação. Nas horas de lazer, gostava ainda de dançar forró.

Os amigos do tempo do colégio também compareceram ao enterro e, mesmo após o sepultamento, fizeram uma última homenagem silenciosa ao lado de sua lápide.

Jovem foi velado na mesma capela do pai

Lucas morava na França e tinha vindo ao Brasil para o enterro do pai. Depois de 15 dias no país, embarcou no voo 447. Ele foi enterrado no mesmo túmulo do pai e velado na mesma capela, de número 3, no Cemitério São João Batista. Sobre o caixão, sua mãe jogou flores brancas em formato de coração no momento do sepultamento.

“Era uma pessoa maravilhosa. Depois que o meu tio morreu, a preocupação dele toda era a mãe. `Cuida da minha mãe’, ele dizia”, contou a prima Vivian Jucá, que segurava um porta-retrato com a foto do primo. 
 

Na última terça-feira (23), foi enterrado o corpo do engenheiro Luis Cláudio Alves de Monlevad, de 48 anos, também passageiro do 447, em Barra Mansa, no Sul Fluminense.