Em vez de desonerar a atividade produtiva - caso das isenções do IPI
sobre automóveis e eletrodomésticos - o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva disse ontem que prefere distribuir dinheiro aos pobres para
aquecer a economia. Insatisfeito com o reflexo das isenções fiscais nos
preços dos produtos, Lula defendeu as políticas de transferência de
renda e disse que é preciso rever o discurso de redução de carga
tributária, que ouve dos empresários.
No lançamento das obras
de revitalização do Porto do Rio, o presidente disse ter dado o recado
em reunião recente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e um grupo
de empresários. "Eu falei para eles: em vez de a gente ficar
desonerando o tanto que está desonerando, é melhor pegar esse dinheiro
e dar para os pobres. Se os pobres tiverem dinheiro e forem comprar,
vocês têm de produzir. Agora, a gente desonera e vocês não repassam
para o custo do produto. Nós já desoneramos nesse meu mandato R$ 100
bilhões. Imagina R$ 100 bilhões na mão do povo brasileiro!"
As
declarações de Lula arrancaram aplausos dos trabalhadores das obras do
porto que assistiam à cerimônia. O discurso do presidente foi todo
centrado nesse princípio e na defesa do Estado forte e com capacidade
financeira para influenciar a economia. "Cada real que você dá a uma
pessoa pobre volta automaticamente para o comércio, para o consumo.
Voltando ao consumo, vai reativar a economia. Às vezes você dá R$ 1
milhão a uma pessoa e fica lá no banco. Ele não faz nada, só ele vai
ganhar dinheiro. Na hora em que você dá R$ 1 a cada pobre, dando para
mil pessoas são R$ 1 mil que voltam para o comércio meia hora depois.
Nem que for para um boteco, para tomar uma canjebrina (cachaça). Ele
não vai para derivativos. Vai para o comércio, e é isso que nós
precisamos para fazer a economia deste País crescer."
Lula
indicou que não está mais disposto a ceder aos apelos de empresários
por novas desonerações tributárias. E voltou a se queixar da derrubada
da CPMF no Congresso, em 2007, que contou com o apoio de entidades
empresariais, como a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
"Acho
que essa conversa eu vou ter daqui para frente com muitos empresários.
Perdemos R$ 40 bilhões do orçamento da União para cuidar da saúde deste
País e eu não vi ninguém reduzir os preços nos 0,38% da CPMF. E quem
perdeu foi essa gente aqui", disse Lula, apontando mais uma vez para os
operários da plateia. "Disseram: se a gente deixar R$ 40 bilhões por
ano na mão do Lula, ele vai ganhar as eleições. Ganhei. E vamos ganhar
outra vez. O povo não aceita mais mesquinharia, não aceita mais
baixaria", disse, alfinetando a oposição.
Lula: 'Prefiro dar dinheiro a pobre a cortar imposto'
24/06/2009, 19:39 - Política
Por teresa
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