Equipes de peritos brasileiros e franceses já estão no Recife (PE) para iniciar os trabalhos de identificação dos corpos de vítimas do Airbus da Air France, que desapareceu no domingo (31) no meio do Atlântico, com 228 pessoas a bordo. Até esta segunda-feira, 24 corpos foram encontrados pelas equipes de busca da Marinha e da Aeronáutica.
A fragata Constituição, que transporta 16 corpos, chega nesta manhã à região de Fernando de Noronha (PE), a 900 quilômetros da área de buscas. Ainda nesta terça-feira, os corpos serão catalogados e enviados de avião para Recife, para identificação por peritos do IML (Instituto de Medicina Legal) de Pernambuco e da Polícia Federal. Legistas franceses ajudarão no trabalho.
Segundo militares, os 14 aviões e cinco navios que estão na área, localizada a 1.166 quilômetros de Recife, mantêm as buscas dia e noite. "Os navios navegam em um mar de destroços", disse o assessor de imprensa da Marinha, capitão de fragata Giucimar Tabosa. "Centenas de objetos estão sendo recolhidos, mas a prioridade é resgatar os corpos."
No local, a profundidade do mar é de aproximadamente 3.500 metros. Um submarino francês se aproxima da área para vasculhar a região, possivelmente a partir de quinta-feira.
No fim de semana, 16 corposo foram encontrados. De acordo com a FAB (Força Aérea Brasileira), os oito corpos resgatados ontem foram retirados de uma área a cerca de 440 km a nordeste das ilhas de São Pedro e São Paulo.
Causas de acidente
Nesta segunda-feira, as equipes de buscas localizaram partes consideradas importantes para a investigação do acidente. Em entrevista na manhã desta segunda, o tenente-coronel Munhoz apresentou fotos que mostram uma lancha da Marinha brasileira se preparando para rebocar o estabilizador do avião, com formato de trapézio e as listras azuis, brancas e vermelhas do logotipo da Air France.
Não há hipóteses claras sobre o que pode ter derrubado a aeronave, mas já há certeza de que o avião sofreu despressurização e uma pane elétrica, porque a aeronave enviou alerta automático do tipo durante o voo. Sabe-se também que a aeronave enfrentou forte turbulência.
As primeiras suspeitas sobre o acidente recaem sobre os sensores de velocidade e a força do vento. Aparentemente, os sensores falharam nos minutos imediatamente anteriores ao acidente, segundo 24 alertas automáticos enviadas pelo avião.
Apesar de a Air France dizer que ainda é cedo para tirar qualquer conclusão sobre as causas do acidente, a empresa informou que havia recomendado no ano passado a troca de sensores cujas falhas podem acarretar no envio de informações contraditórias sobre a velocidade da aeronave.
A incoerência destes dados pode fazer com que sistemas eletrônicos dos aviões deixem de funcionar, como o piloto automático.
O voo 447 da Air France desapareceu sobre o oceano Atlântico na noite de domingo (31). O avião decolou por volta das 19h do aeroporto Tom Jobim, no Rio, com destino a Paris e fez o último contato com o comando aéreo brasileiro por volta das 22h30 de domingo