Depois de ouvir do ministro ministro Carlos Minc a promessa de que não
mais se envolverá pelos meios de comunicação em brigas com os colegas,
a exemplo do que ocorreu com Alfredo Nascimento (Transportes), Reinhold
Stephanes (Agricultura) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistiu de substituir o titular
do Meio Ambiente. De acordo com informação de auxiliares de Lula, o
presidente considera que Minc está, de fato, enquadrado, como o próprio
ministro admitiu de público anteontem.
Dentro do governo há um
alívio com o fato de Minc ter prometido parar com as brigas e os
ataques públicos a obras do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), como a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. Uma substituição
de Minc a cinco meses da Conferência de Copenhague (marcada 7 a 18 de
dezembro, na capital da Dinamarca) seria um desastre. Não só porque
mostraria instabilidade na área ambiental do país que tem a maior
floresta equatorial do planeta, mas porque o ministro é ligado aos
ambientalistas de países escandinavos e da Alemanha, todos potenciais
aliados da preservação da Amazônia - a Noruega, por exemplo, já doou U$
100 milhões para o Fundo Amazônia e promete chegar a US$ 1 bilhão.
O
encontro de Copenhague é considerado o mais importante da história
recente, pois tem por objetivo estabelecer o tratado que substituirá o
Protocolo de Kyoto, vigente de 2008 a 2012, que trata das questões
climáticas e ambientais. Nos debates deverão aflorar os impasses entre
os países desenvolvidos e em desenvolvimento em torno das metas para a
redução de emissões de gases do efeito estufa e os recentes estudos
científicos sobre o aquecimento global. No governo ninguém domina mais
o tema do que Minc.
Se ele admitiu, de público, que foi
enquadrado por Lula, o presidente também aceitou o fato de que não tem
como controlar o ímpeto midiático de seu ministro. Numa conversa com
jornalistas, há dois meses, Lula disse que Minc conseguiu superá-lo na
quantidade de aparições públicas e declarações. E, entre os auxiliares
do Planalto, comentou que o ministro é capaz de se levantar à noite
para tomar água e, ao abrir a porta da geladeira e ver a luzinha acesa,
dar uma entrevista, pensando que é um holofote.
Lula, que ontem
esteve com Minc na Bahia (leia texto abaixo), recomendou a ele que, se
quer brigar, continue o enfrentamento com os ruralistas e com os
grileiros, mas deixe os integrantes do governo de fora. E lhe disse que
não tem lógica passar uma semana num bate-boca pelos meios de
comunicação com um subordinado do ministro dos Transportes - o
diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes
(DNIT), José Luiz Pagot. Minc disse que Pagot atacava no Congresso a
legislação ambiental; o diretor do DNIT respondeu que Minc atrapalhava
o progresso do País.
Ainda conforme informação de auxiliares do
Planalto, Lula acha útil Minc marcar uma posição a favor da defesa do
meio ambiente, porque o outro lado, o do agronegócio e dos ruralistas,
também luta por suas posições.
Bate-bocas já aconteceram e não
atrapalharam o diálogo, a exemplo do que houve com o governador de Mato
Grosso, Blairo Maggi, hoje amigo de Minc e adepto de programas de
preservação. Há um ano o ministro disse que o governador desmataria até
os Andes para plantar soja.
O mesmo tem ocorrido com a senadora
Kátia Abreu (DEM-TO). Minc e ela vivem num eterno bate-boca. Ao mesmo
tempo, porém, têm diálogos frequentes. Minc costuma lembrar que já teve
três encontros com Kátia e até ganhou presentes dela.
Mas Lula
mantém uma queixa a respeito de Minc. Acha-o sincero demais. Não era
para ele levar uma enquadrada e contar o fato para o primeiro
jornalista que encontrasse.
Minc promete não mais brigar com ministros e Lula desiste de demiti-lo
06/06/2009, 17:10 - Política
Por teresa
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