O Ministério Público Estadual (MPE) ingressou ontem com representação
na 1ª Zona Eleitoral da capital paulista pedindo a rejeição das contas
de campanha do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e da vice,
Alda Marco Antonio (PMDB). O promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes
questiona a legalidade de R$ 9,2 milhões (31%) dos R$ 29,7 milhões
gastos no ano passado pela coligação São Paulo no Rumo Certo. A maior
parte das doações partiu de quatro empreiteiras - Camargo Corrêa,
Serveng Civilian, CR Almeida e OAS -, todas com participação societária
em concessionárias de serviços públicos.
Também foram
detectadas contribuições da Associação Imobiliária Brasileira (AIB),
pivô da investigação aberta neste mês contra 29 dos 55 vereadores da
Câmara Municipal, e do Banco Itaú, responsável pelo pagamento dos
salários dos 180 mil servidores públicos municipais ativos e 35 mil
inativos. ?Há um autêntico festival de irregularidades nas contas
apresentadas quanto aos doadores para a campanha a prefeito e
vice-prefeito?, escreveu o promotor. Se tiverem as contas rejeitadas
pela Justiça, Kassab e Alda podem ser declarados inelegíveis por até
quatro anos e terem os mandatos cassados.
Apesar de
citar a AIB e o Itaú, a representação mira nas contribuições feitas
pelas empreiteiras. O inciso 3 do artigo 24 da Lei das Eleições (Lei
9.504/97) proíbe ?concessionário ou permissionário? de fazer doações de
qualquer espécie a candidatos ou partidos políticos. O assunto é
controverso porque, em tese, nenhuma dessas construtoras está
registrada na Receita Federal ou na Junta Comercial como
concessionária. Na prática, porém, elas integram consórcios que
controlam essas empresas, seja como acionistas ou investidoras. ?Em
derradeira análise?, diz o promotor, ?seriam os concessionários diretos
dos serviços públicos?.
Embora a última manifestação do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2006, tenha considerado legal
doações feitas por empresas com participação em concessionárias, Lopes
incluiu na representação outros votos, proferidos no passado pelos
ministros Cezar Peluso, Carlos Ayres Brito e Ellen Gracie, em que a
prática é repudiada
MP questiona 31% dos gastos da campanha de Kassab
27/05/2009, 07:15 - Política
Por carlinhos
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