O empresário, ex-vereador por Maceió e vice-presidente da Associação Alagoana dos Supermercados (ASA), Francisco Sales, criticou nesta segunda-feira (2) os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), destacando os 8% de desemprego que assolam Alagoas e atingem diretamente milhares de famílias. Para ele, o índice revela uma economia que não consegue absorver sua própria força de trabalho e evidencia a necessidade urgente de mudanças estruturais no ambiente econômico do estado.
De acordo com o levantamento do IBGE, o cenário é ainda mais preocupante quando se observa a subutilização da mão de obra, indicador que engloba não apenas os desempregados, mas também os trabalhadores subocupados — que trabalham menos horas do que gostariam — e os desalentados, que desejam trabalhar, mas desistiram de procurar vaga por falta de perspectiva. Isso significa que há milhares de alagoanos com capacidade produtiva disponível, mas fora do mercado formal, limitando o crescimento da renda, do consumo e da própria economia estadual.
“Quando um estado convive com desemprego elevado e com tanta gente subutilizada, não estamos falando apenas de números, mas de sonhos interrompidos e de famílias pressionadas pela falta de oportunidade. O trabalhador quer produzir, o empresário quer contratar, mas o ambiente econômico precisa permitir que essa engrenagem funcione com segurança e competitividade”, afirmou Sales.
Proprietário da rede de supermercados Super Atacado, que emprega cerca de 1 mil funcionários, Francisco Sales iniciou sua carreira vendendo água mineral na praia de Pajuçara, como ambulante, e transformou esforço e persistência em um grupo empresarial que hoje emprega cerca de mil pessoas. Ele afirma que conhece de perto o sofrimento e a dificuldade de quem decide empreender em Alagoas e sustenta que a elevada carga tributária estadual é um dos principais entraves à geração de emprego e renda.
“O empresário alagoano, seja micro, pequeno, médio ou grande, é vítima de um sistema tributário pesado e injusto, que consome recursos que poderiam estar sendo investidos em expansão e contratação. O estado precisa decidir se quer arrecadar cada vez mais ou se quer criar condições reais para que as empresas cresçam e empreguem o seu próprio povo”, disparou.
Sales também criticou o tratamento diferenciado concedido a empresas de fora que se instalam em Alagoas, citando como exemplo a chegada da rede maranhense Mix Mateus. Segundo ele, enquanto grupos externos recebem incentivos fiscais e facilidades estruturais, o empreendedor local enfrenta burocracia excessiva, insegurança e poucos estímulos para expandir seus negócios.
“Quando a empresa é forasteira, recebe tapete vermelho e incentivos; quando é alagoana, enfrenta imposto alto e barreiras para crescer. Não existe desenvolvimento sustentável se quem nasceu e investe aqui é tratado com mais rigor do que quem vem de fora explorar o mercado local”, afirmou.
O vice-presidente da ASA também defendeu maior investimento em educação e qualificação profissional, lembrando que Alagoas ainda precisa avançar em seus indicadores educacionais para ampliar a empregabilidade. Para ele, sem formação técnica adequada e ambiente econômico competitivo, o estado continuará enfrentando dificuldades para reduzir o desemprego e transformar potencial produtivo em geração concreta de renda.
“Emprego não se cria apenas com discurso, se cria com política tributária equilibrada, incentivo ao empreendedor local e trabalhadores preparados para ocupar as vagas. Se essas frentes não avançarem juntas, continuaremos convivendo com índices que não refletem o potencial da nossa gente”, concluiu Francisco Sales.









