Um dia depois da abertura da CPI da Petrobrás após manobra do PSDB, o governo decidiu mudar de estratégia e articula uma tropa de choque para controlar as investigações e evitar que as ações da comissão possam causar prejuízo financeiro à estatal.

Avaliação feita neste sábado por integrantes da base aliada e até mesmo pelo Palácio do Planalto é de que a oposição não deve dar trégua e que, por isso mesmo, a ordem deve ser a de usar a maioria governista na CPI para evitar novas surpresas.

Mesmo assim, o núcleo do governo ainda vai apostar no depoimento do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, para tentar esvaziar a comissão de inquérito, antes mesmo de sua instalação.

No sábado, foi marcada para a próxima terça-feira uma reunião dos líderes aliados para definir os nomes que serão escalados para a CPI e também a linha de atuação.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), anunciou que já pediu ao líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), para integrar a lista de membros da CPI indicados pelo partido.

- Esse é um momento especial e haverá um tratamento especial do governo para esta CPI. Já pedi para o líder Renan Calheiros para ser indicado membro dessa comissão. Essas CPIs recrudescem em véspera de ano eleitoral. A oposição deixou claro que vai fazer um embate político. Temos que estar preparados para enfrentar esse debate sem prejudicar a Petrobras - avisou Romero Jucá.

Oposição acusa governo de "terrorismo político"

Para diminuir eventuais impactos na imagem da estatal, que poderiam influenciar na cotação das ações da Petrobras negociadas na Bolsa de Valores, o Palácio do Planalto ainda vai reforçar o discurso de que o PSDB quer instalar a CPI para fazer uma disputa política.

- Está claro que é uma CPI do PSDB visando 2010. Por isso, vamos escalar pessoas confiáveis. Afinal, é preciso ter cuidado com a Petrobras. A empresa é a mola propulsora do país nesse momento de reflexo de crise internacional. Ela está com o planejamento de quatro refinarias, fazendo exploração do pré-sal, além de outros investimentos. Jamais imaginaria, na Europa, a abertura de uma investigação para uma empresa desse porte no auge da crise econômica - argumentou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

A oposição já identificou a estratégia palaciana de desqualificar a CPI da Petrobras e passou a acusar o governo de praticar o "terrorismo político". Para o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), quem acaba prejudicando a imagem da estatal é o próprio Palácio do Planalto, ao colocar a Petrobras numa situação de fragilidade diante de uma investigação.

Guerra afirmou ainda que a oposição terá uma atuação responsável:

- Quem faz terrorismo público com a imagem da Petrobras é o governo, e não a oposição. Quem expôs essa comunicação de que uma CPI abalaria a imagem da estatal foi o próprio presidente Lula. Nossa determinação é de manter um clima de responsabilidade durante os trabalhos. Vamos deixar claro que o mundo não vai acabar por causa dessa CPI. Vamos ter uma conduta de equilíbrio. Se o governo for atuar de forma civilizada, não haverá problemas. Mas se for colocar uma tropa de choque, aí, sim, haverá tiroteio.