O presidente estadual do PT, Jonas Paulo, minimizou, neste domingo, 10, a notícia de um iminente rompimento do PMDB com o PT, lembrando que a aliança nacional entre os dois partidos está praticamente consolidada e não seria na Bahia, onde o PMDB ocupa um dos principais ministérios do governo do presidente Lula – o da Integração Nacional – e tem duas importantes secretarias no governo estadual que isso iria ocorrer.
Mas o ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, principal liderança peemedebista no Estado, sustenta que ainda não há nada decidido pela cúpula partidária, e que na Bahia o partido só irá tomar uma posição depois de ouvir as suas bases.
O ministro informou que o PMDB, que nos próximos dias entregará documento ao governador com análises e sugestões sobre a condução das ações de governo – definido por ele mais como uma contribuição do que simples crítica –, inicia, no próximo dia 18, uma série de consultas nos municípios.
“O partido vai fazer um roteiro e percorrer todo o Estado, nos próximos dois ou três meses. Esta questão (aliança) tem que ser resolvida com ampla consulta no partido”, disse Geddel, assinalando que é prematuro afirmar se a aliança que uniu PT e PMDB em 2006 vai se repetir nas eleições do próximo ano.
“Num partido como o PMDB, que não está com candidatura própria (presidência), que significaria a unidade de toda a sigla, vai pesar muito as alianças estaduais”, explicou o ministro, sabendo que internamente encontra resistências à aliança com o PT. Em Salvador, por exemplo, é difícil imaginar o prefeito João Henrique Carneiro, que enfrenta oposição no PT municipal e não descarta se lançar candidato ao governo, apoiando uma chapa liderada pelo PT.
O mesmo se dá em outros municípios, como Itapetinga, em que o peemedebista Michel Hagge, apesar de ter sido apoiado por Wagner, perdeu a eleição para o candidato do PT, José Carlos Moura.
A construção pelo governo Wagner de um novo grupamento político para fortalecer sua reeleição, a ser comandado pelo ex-governador Otto Alencar, que seria indicado a uma das vagas ao Senado, também surge como mais uma peça a complicar o intrincado xadrez de costura de alianças para 2010.
O presidente do PT, Jonas Paulo, reconhece que há “dificuldades” na parceria do PT com o PMDB , porém, avalia que são plenamente superáveis. “A tendência do PMDB nacional é marchar com a candidatura do PT e manter a aliança com o presidente Lula; e a expressão dessa aliança na Bahia é a reeleição do governador Jaques Wagner”, pontua.
À exceção de Pernambuco, onde o PMDB de Jarbas Vasconcelos é oposição ao PT, Jonas Paulo acha que é possível conciliar as duas legendas, seja na Bahia, como no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais, estados em que o presidente Lula disse que iria pessoalmente mediar os conflitos.
Piloto de Geddel – O ministro Geddel Vieira Lima confirmou, neste domingo, a A TARDE que Francisco Meireles, contratado como secretário particular com salário de R$ 8.040 no gabinete do deputado Edigar Mão Branca (PV-BA), é o piloto que conduz o seu avião particular. A informação foi publicada na edição deste domingo da Folha de São Paulo.
“É absolutamente verdade”, disse o ministro, acrescentando que este ano só recorreu aos serviços do piloto quatro vezes. Meireles atende como freelance a Geddel, que paga R$ 100 ou R$ 150 a hora. Ele diz que não há legislação impedindo que o piloto, ou advogado, preste serviços a terceiros no seu tempo livre.