O chefe do Comando Militar Central dos Estados Unidos, general David Petraeus, afirmou neste domingo que a organização terrorista Al Qaeda não atua mais no Afeganistão, mas alguns grupos ligados à rede ainda mantêm "santuários" no país asiático.
Petraeus disse, em uma entrevista à rede de televisão CNN, que Al Qaeda é uma organização "verdadeiramente transnacional", com capacidade de atravessar fronteiras e cometer atentados em vários países, da Índia até o Reino Unido.
O discurso de Petraeus repete declarações de do presidente do
Afeganistão, Hamid Karzai, que disse recentemente que a Al Qaeda não
estava mais em seu país.
"Acho que é uma avaliação precisa e acertada. A Al Qaeda não têm mais bases no Afeganistão", disse Petraeus, que ressaltou, contudo, que "algumas de suas organizações filiadas têm enclaves e santuários em algumas partes do país".
O militar se referiu também ao encontro ocorrido há poucos dias, em Washington, entre Karzai, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, e o dos EUA, Barack Obama --uma reunião que qualificou de "sem precedentes".
"Nunca antes estes dois líderes tinham se reunido", disse Petraeus, garantindo que o encontro, no qual ambos se comprometeram a lutar contra o terrorismo, "foi muito positivo e produtivo."
Ameaça
Petraeus afirmou ainda que os insurgentes do grupo islâmico Taleban são "uma verdadeira ameaça" à existência do Paquistão.
Ele afirmou, contudo, que o arsenal nuclear do país asiático está seguro.
Na entrevista, o chefe militar se mostrou satisfeito com a ofensiva do governo do Paquistão em sua fronteira montanhosa com o Afeganistão, que permitiu que os terroristas sofram "muitas baixas" nos últimos oito ou dez meses.
O Paquistão afirma que tem 175 mil soldados mobilizados nesta região, em uma tentativa de reduzir a força dos insurgentes. Somente neste domingo, o Exército anunciou ter matado 200 insurgentes.