Em meio a charges e piadas criadas, Damiana Morán, a terceira mulher a denunciar que tem um filho com Fernando Lugo disse que foi criado uma comissão para acompanhar os supostos casos de paternidade. E mais: ela afirmou que o ex-bispo e atual presidente do Paraguai é pai de, ao menos, seis crianças, apesar de somente três terem vindo a público.
"Formamos um grupo de trabalho para
administrar todos os casos de paternidade (relacionados a Lugo).
Até o momento, já temos notícia de que existem seis casos",
disse Damiana em entrevista coletiva.
Ela explicou que a idéia de formar o grupo surgiu em conversas com responsáveis da Secretaria da Infância e da Adolescência e da Secretaria da Mulher.
Segundo Damiana, as encarregadas das duas secretarias, Liz Torres e Gloria Rubín, "têm plena consciência sobre a necessidade de se esclarecer tudo para que Lugo possa governar".
Morán, que afirma ter um filho de um ano e quatro
meses com Lugo, disse que não vai exigir nada do chefe de
Estado, e destacou que o próprio presidente já comunicou, por
intermédio de seu advogado, que assumirá a paternidade.
Publicamente, Lugo só admitiu ter tido um filho quando ainda era bispo.
"Nós, as mães, temos que nos unir e não agir
separadamente, para evitar um maior desgaste na figura do
presidente", disse Damiana, ex-coordenadora da Pastoral
Social da Diocese de San Lorenzo.
Damiana Morán, de 39 anos, disse ter iniciado a
sua relação com Lugo há cinco anos, e a intensificou durante a
campanha eleitoral que levou o ex-bispo à Presidência, em abril
de 2008.
"O que posso assegurar é que foi uma grande
entrega e que foi uma explosão de sentimentos, e por essas
coisas de Deus e da vida, nasce um fruto, que é Juan
Pablo", de um ano e quatro meses, contou a mulher ao jornal
local "ABC Color".
Lugo ocupou o posto de bispo de San Pedro (400 km ao norte de Assunção) até 11 de janeiro de 2005, mas manteve o hábito religioso até 18 de dezembro de 2007, quando renunciou para se candidatar à Presidência.
Primeiro filho
Na semana passada, Lugo reconheceu como filho o menino Guillermo Armindo, de dois anos, fruto de um relacionamento com Viviana Carrillo Cañete.
A admissão pública da paternidade estimulou uma
segunda mulher, Benigna Leguizamón, ex-funcionária da diocese de
San Pedro, a exigir que Lugo reconheça o filho Lucas Fernando,
de seis anos.
A titular da secretaria da Mulher, Gloria Rubín,
estimou que podem surgir novos casos e pediu a Lugo que
esclareça toda a situação.
Mais escândalo
O escândalo coincide também com novos atritos do chefe de Estado com o vice-presidente do país, Federico Franco, pela reestruturação ministerial que Lugo ordenou esta semana.
A remodelação alcançou órgãos controlados pelo
partido de Franco, o Liberal Radical Autêntico (PLRA), principal
aliado governista.
Parte da imprensa local e analistas políticos
consideram que as quatro mudanças feitas por Lugo em seu
gabinete em 20 de abril, em coincidência com o primeiro ano de
seu histórico triunfo eleitoral, se deveram a uma estratégia
para desviar a atenção.
A reestruturação ministerial prejudicou a ala
liderada pelo vice-presidente do país no PLRA, suporte político
de Lugo no Congresso e cujos seguidores foram marginalizados
durante os oito meses de seu mandado, segundo o vice do Executivo.
"O presidente atua de forma avessa contra o
meu grupo e contra o partido", se queixou Franco, enquanto
o presidente do Congresso, o opositor Enrique González Quintana,
disse que "há uma grande divergência no partido que deu a
Lugo 82% (dos votos) nas eleições".
Lugo assumiu o poder em 15 de agosto passado após
pôr fim a 61 anos de hegemonia política do Partido Colorado, à
frente de uma coalizão que, apesar de ser integrada por diversos
grupos sociais e de esquerda, é liderada pelo PLRA, de centro-direita.