Depois de muita espera, Brasília entra no seleto grupo das cidades que contam com transmissão de TV em alta definição no país. Lançado oficialmente
Globo, Bandeirantes e TV Brasília farão a transmissão a partir de uma torre da CEB localizada no Grande Colorado. Já Record e SBT vão utilizar o espaço da tradicional Torre de TV do Plano Piloto. “Vamos trabalhar provisoriamente em contêineres até a construção da torre definitiva, seja ela no monumento (batizado de Flor do Cerrado, um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer) ou numa torre erguida por todas as emissoras. Já estávamos atrasados para o início das transmissões digitais na capital”, opina o diretor-geral da Bandeirantes, Flávio Lara Rezende.
A Band começa a operar em HD (alta definição) até maio, enquanto a TV Brasília espera iniciar as primeiras transmissões no segundo semestre. O caso da Record e do SBT é um pouco mais complicado, já que as duas vão utilizar o espaço da Torre de TV e, por isso, precisam da autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para instalar os equipamentos no local. De acordo com o gerente técnico do SBT, Fernando Mattos, a emissora só está esperando o aval da agência para estrear o novo sinal, ainda no primeiro semestre.
O sistema de TV digital utilizado no Brasil, batizado de ISDB-TB, é baseado no modelo japonês, com algumas alterações que o tornam único no mundo. Mas o que muda com a chegada da nova geração de transmissão em Brasília?
Para começar, a definição da imagem tem um salto significativo de qualidade. “Com a tecnologia digital, o sinal pega ou não pega, acabando com aquela história de imagens com chuviscos e fantasmas”, explica o professor da Faculdade de Tecnologia da UnB Ricardo Queiroz, citando ainda outras vantagens, como a adoção de um padrão de codificação e compressão — conhecido como MPEG-4, que é mais eficiente que o MPEG- 2, adotado no sistema japonês tradicional. “Com isso, as emissoras podem, por exemplo, oferecer multiprogramação simultânea para os telespectadores”, diz.
Para ver as melhorias, o consumidor precisa comprar um decodificador de sinal (tire suas dúvidas na página 4), o chamado set-top box, que pode variar de R$
Outra novidade que chama a atenção no sistema é a portabilidade. Com a nova transmissão, é possível ver TV aberta e gratuita em celulares e dispositivos móveis — uma realidade há muito tempo desejada pelos consumidores. “Brasília tem um relevo (plano) que favorece em muito a transmissão para esses aparelhos”, conta Fernando Mattos.
Vale lembrar, no entanto, que isso é apenas um pontapé inicial em toda a revolução. Como o Ginga (leia mais na página 3), sistema que irá possibilitar a comunicação do usuário com a TV ainda está em desenvolvimento, nesse primeiro momento o telespectador não poderá interagir com a programação das emissoras. No entanto, as possibilidades oferecidas pelo sistema são enormes e vão além das melhorias na imagem. Nas páginas seguintes, você poderá tirar suas dúvidas sobre a tecnologia, se informar um pouco mais sobre o padrão brasileiro e, é claro, conhecer alguns aparelhos desenvolvidos especialmente para tirar todo o proveito deste novo momento da televisão brasileira.