Rio - O Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro determinou que os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona da Central do Brasil paguem uma multa de R$ 50 mil, por não terem cumprido a determinação da Justiça em manter no mínimo 60% dos maquinistas trabalhando no horário de pico e 40% nos outros horários.
Pela manhã, os trens trafegaram em intervalos maiores o que acabou prejudicando os usuários e aumentando ainda mais o fluxo de veículos em direção ao Centro do Rio. Os motoristas encontraram um tráfego difícil nas vias da Zona Oeste e da Baixada Fluminense com o grande movimento de ônibus, automóveis e transportes alternativos.
O pintor Diogo dos Santos, de 21 anos, trabalha na Barra e levou um susto quando chegou na estação de Engenheiro Pedreira, em Japeri às 5h30 e encontrou a plataforma lotada. Ele, que faltou ao trabalho no primeiro dia da paralisação, teve que criar coragem para encarar muito aperto até a Central. “Isso não é normal. Está muito cheio. Meu medo é que falte trem na volta do trabalho”, disse. Nas estações de Belford Rocho e Seropédica, em Duque de Caxias, que não funcionaram segunda-feira, o intervalo era de meia hora.
O auxiliar de cobrança Michael Moreno Fernandes, de 28 anos, não quis arriscar e preferiu pegar ônibus de Queimados para o Centro do Rio. Segundo ele, que esperou meia hora na fila, a causa da greve é válida, mas prejudica os passageiros. “ É unânime. Ninguém aguenta mais tanta greve. Prefiro pagar mais caro e viajar sentado no ônibus do que ser espremido naquele vagão”, afirmou.
Na Avenida Brasil, entre a Penha até São Cristóvão, houve um longo congestionamento com reflexos na Linha Vermelha. Na Rodovia Presidente Dutra o congestionamento chegou até o bairro de Jardim América com 7km de lentidão.
Passeata da categoria
O Sindicato dos Ferroviários do Rio de Janeiro organizou uma passeata na pelas ruas do centro. Dezenas de pessoas sairam da estação da Central do Brasil, por volta das 8h30, até a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) no Centro.
A categoria realizou também um apitaço para denunciar a falta de segurança no trabalho e também as demissões que foram feitas por represália ao movimento. O sindicato afirma que 30% de grevistas trabalharam para cumprir a decisão judicial. A Polícia Militar reforçou a segurança em todas as estações e acompanhou também a passeata.
De acordo com os sindicalistas, apesar da grande movimentação de passageiros nas estações, o embarque e desembarque nos trens foi realizado sem muitas complicações nesta manhã.
A empresa montou no início da tarde um novo esquema especial em todos os ramais.
Confira os intervalos:
Ramal Japeri: intervalos de 40 minutos.
Ramal Santa Cruz: intervalos de 40 minutos.
Ramal Deodoro: intervalos de 20 minutos.
Ramal Belford Roxo: intervalos de 30 minutos.
Ramal Saracuruna: intervalos de 30 minutos.
Madrugada complicada
Com a greve de trens os pontos de ônibus ficaram no início da madrugada desta terça-feira. No terminal da Central do Brasil, os ônibus saíram lotados de passageiros. Morador de São João de Meriti, o comerciário Jeferson Teixeira Vieira, de 26 anos, chegou na Central final da noite e ao saber que a paralisação continuava, foi para o ponto e esperou um ônibus por cerca de 40 minutos. "Se tivesse ido de trem já estaria chegando em casa. Ainda é capaz de não conseguir entrar no ônibus, pois eles estão passando muito cheios", disse Jeferson.
A operadora de telemarketing, Kelly Barbosa Soares, de 24 anos, também aguardava um ônibus para Anchieta. "Já estou aqui mais de meia hora e nada. Já vi que vou dormir muito pouco, pois tenho que acordar cedo para a faculdade", lamentou.