Entre 900 e mil bolivianos juntaram-se à greve de fome iniciada pelo presidente Evo Morales para exigir do Congresso a aprovação da lei eleitoral, que permite a realização do pleito geral em dezembro, segundo a agência estatal de notícias.
O anúncio da mobilização foi feito na noite de quinta-feira pelos dirigentes da Central Operária Boliviana e da Coordenação Nacional pela Mudança (Conalcam), que acompanham Morales no protesto que, garantem, não será abandonado até que a lei eleitoral seja aprovada.
Fontes do palácio do governo de La Paz informaram à agência de notícias EFE que Morales se encontra em bom estado após seu primeiro dia de greve de fome, que o levou a suspender a viagem a Cuba que estava prevista para sexta-feira.
De acordo com o porta-voz presidencial, Ivan Canelas, Morales continua trabalhando, apesar da greve de fome.
A crise política na Bolívia ganhou força com as divergências para aprovar um regime eleitoral transitório obrigado pela nova Constituição para poder realizar o pleito geral previsto inicialmente para dezembro.
Na tarde de quarta-feira, o Congresso Nacional havia realizado uma longa sessão que durou cerca de 26 horas para tentar o consenso entre governistas e opositores.
Embora tenham sido registrados alguns avanços e a norma em primeira instância tenha sido aprovada, a situação continua complicada, já que boa parte dos parlamentares opositores abandonou a sessão.
A oposição rejeita o projeto de lei apresentado pelo governo, por considerar que ele dá vantagens e margem para que Morales seja reeleito em dezembro.
Os principais pontos de divergência são o censo eleitoral, a reserva de uma quota de cadeiras para setores indígenas, e o voto dos bolivianos no exterior.
Congresso
O senador opositor Carlos Borth, um dos interlocutores para pactuar a lei eleitoral, afirmou que a sessão do Congresso não será retomada até que se restabeleça a comissão negociadora, a fim de fechar definitivamente um acordo sobre o texto.
Morales pediu que sejam estudadas medidas disciplinares para sancionar, no marco da nova Constituição, os parlamentares que “abandonam ou fogem” das sessões do Congresso. Ele acusa a oposição de tentar bloquear as eleições de dezembro com táticas de atraso.
Opositores exigem padronização geral dos eleitores antes de dezembro. Autoridades eleitorais, no entanto, dizem ser impossível completar a tarefa antes de um ano.