A circulação de listas com nomes de empresários, trabalhadores e eleitores para incentivar boicotes e retaliações por posicionamento político passou a ser apurada pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL).

A investigação também alcança publicações atribuídas a uma pessoa que auxiliaria na direção de uma escola infantil de Maceió. A informação foi divulgada no Diário Oficial do órgão de controle nesta sexta-feira (6).

Segundo a portaria, mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp teriam exposto pessoas e estabelecimentos por suas preferências políticas. O MP também cita declarações, publicadas em uma rede social, sobre a recusa de negócios e vínculos com petistas.

A Promotoria determinou a preservação das mensagens, dos endereços eletrônicos, das datas de publicação e dos arquivos originais disponíveis. Pessoas que se considerem atingidas poderão apresentar provas de ameaças, demissões, perda de contratos, exposição de dados ou recusa de atendimento.

A escola e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Alagoas (Abrasel/AL) também poderão prestar esclarecimentos.

O próprio documento ressalta que, até o momento, não há comprovação de recusa de matrícula, tratamento desigual contra famílias, demissão de trabalhadores ou ordem institucional de discriminação.

Caso sejam encontrados indícios de crime, o MP poderá requisitar a abertura de inquérito policial. Eventuais retaliações trabalhistas poderão ser encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho.

A apuração foi instaurada pelo promotor Gustavo Arns da Silva Vasconcelos, da 61ª Promotoria de Justiça da Capital.