O Brasil deve registrar 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral por ano no triênio 2026–2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Desse total, são estimados 12.260 casos em homens e 4.930 em mulheres. Os números reforçam a importância da informação e do acesso ao diagnóstico precoce.

Apesar de a boca ser uma região acessível ao exame clínico, muitos pacientes ainda recebem o diagnóstico em estágios avançados. A Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal, realizada de 1º a 7 de novembro e instituída pela Lei nº 13.230/2015, chama a atenção para a necessidade de mudar essa realidade.

 

Feridas persistentes e manchas merecem atenção

Entre os principais sinais de alerta estão:

Feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam em até 15 dias;

Manchas brancas ou vermelhas;

Caroços e sangramentos sem causa aparente;

Dificuldade para mastigar, engolir ou falar;

Nódulos no pescoço.

 

Essas alterações podem ter outras causas, mas devem ser avaliadas por um cirurgião-dentista e/ou especialista.

A ausência de dor não afasta a possibilidade de uma lesão suspeita. Por isso, não se deve esperar que uma alteração doa ou prejudique a alimentação para procurar atendimento. O exame clínico permite identificar lesões que precisam de investigação e, quando indicada, a biópsia é utilizada para estabelecer o diagnóstico. A identificação da doença em fase inicial amplia as possibilidades de tratamento e cura.

 

Tabaco, álcool e exposição solar estão entre os fatores de risco

O consumo de tabaco em suas diferentes formas e de bebidas alcoólicas está entre os principais fatores de risco, e a associação dos dois aumenta ainda mais a possibilidade de desenvolver a doença.

Outros pontos de atenção incluem:

Exposição solar sem proteção: representa um risco importante para o câncer de lábio, especialmente entre pessoas que trabalham ao ar livre.

Infecção pelo HPV: relacionada principalmente ao câncer de orofaringe (região que inclui as amígdalas e a base da língua). A vacinação contra o vírus é uma importante aliada na prevenção.

Cigarros eletrônicos (vapes): não são inofensivos, expõem os usuários a substâncias tóxicas e seu uso deve ser evitado.

Foto autorizada pela família

 

Prevenção e cuidado durante todo o ano

Não fumar, evitar bebidas alcoólicas, proteger os lábios da exposição solar e manter uma alimentação saudável são medidas essenciais de prevenção. Diante de alterações suspeitas, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação.

A mensagem à população é direta: uma ferida que não cicatriza precisa ser examinada. Não espere sentir dor para procurar ajuda. Observar a própria boca é importante, mas não substitui a avaliação profissional. A prevenção deve fazer parte da rotina, e o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precisa continuar além das campanhas.

Assistência especializada no PAM Salgadinho

Em Maceió, o Serviço de Estomatologia do PAM Salgadinho desenvolve, há mais de 20 anos, um trabalho voltado à avaliação de lesões bucais e ao cuidado especializado na rede pública.

A equipe — liderada pela cirurgiã-dentista e estomatologista Dra. Sonia Maria Soares Ferreira e pela ASB Michele Cruz, contando com o apoio de estudantes e profissionais — está empenhada na identificação de alterações suspeitas, na investigação diagnóstica e no acompanhamento de pacientes com suspeita ou diagnóstico de câncer de boca.

Com acolhimento e atenção humanizada, o serviço reúne assistência especializada, continuidade do cuidado e produção de conhecimento científico com benefícios concretos para os usuários do SUS. Suas iniciativas de prevenção e apoio também contam com a parceria do curso de Odontologia e do MPPS do Cesmac.

A campanha dura uma semana. O cuidado precisa acontecer o ano inteiro.