A rede estadual de saúde de Alagoas enfrenta um cenário de falta de profissionais, suspensão de atendimentos e denúncias de demissões em massa em duas das principais unidades hospitalares do estado. No Hospital da Mulher Dra. Nise da Silveira, os atendimentos obstétricos foram suspensos a partir das 12h desta quinta-feira (5), por falta de médicos para completar a escala de plantão. Já no Hospital Geral do Estado (HGE), o Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas (Sineal) denunciou o desligamento de quase uma centena de profissionais da enfermagem e a redução de mais de 15 mil horas de trabalho.
A suspensão dos atendimentos no Hospital da Mulher foi divulgada pelo Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL), que já havia alertado para o risco de desfalque nas unidades da rede estadual após profissionais apresentarem avisos prévios de demissão em razão de descontos salariais.
Segundo o sindicato, a direção do hospital comunicou ao Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal) a suspensão dos atendimentos. A escala contará com apenas um obstetra durante o período noturno, situação que, conforme a entidade, representa risco à segurança assistencial das gestantes e demais pacientes.
A suspensão ocorre em meio a um impasse entre médicos da rede estadual e a Sesau, após um desconto de 15% nos salários referentes ao mês de outubro. Desde terça-feira (3), o Sinmed/AL começou a receber comunicados de profissionais que decidiram apresentar avisos prévios de demissão.
De acordo com a entidade, os médicos entregaram os documentos às unidades hospitalares e encaminharam cópias à Sesau, ao Ministério Público, ao Conselho Regional de Medicina e ao sindicato.
A presidente do Sinmed/AL, Sílvia Melo, lamentou a suspensão dos atendimentos obstétricos no Hospital da Mulher e cobrou providências urgentes da Sesau para recompor a equipe médica e garantir a continuidade dos serviços.
O sindicato também alertou para os impactos da insuficiência de profissionais na assistência às gestantes e demais pacientes atendidos pela unidade.
Demissões em massa no HGE
No Hospital Geral do Estado (HGE), principal unidade de urgência e emergência de Alagoas, o Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas (Sineal) denunciou o desligamento de quase uma centena de profissionais da enfermagem de uma só vez.
Segundo a entidade, muitos trabalhadores foram comunicados por telefone, sem aviso prévio e sem o pagamento de direitos trabalhistas.
O sindicato também informou que recebeu denúncias de que a Sesau estabeleceu uma meta de redução superior a 15 mil horas de trabalho. A medida teria atingido setores críticos do hospital, incluindo as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
Conforme o Sineal, a redução retirou o suporte técnico de profissionais diaristas das UTIs, onde estão internados pacientes graves que necessitam de cuidados avançados e monitoramento contínuo durante 24 horas.
A entidade alerta que a diminuição do número de trabalhadores pode provocar sobrecarga nas equipes que permanecem em atividade e comprometer a segurança de profissionais e pacientes.
O sindicato também manifesta preocupação com os impactos dos desligamentos na assistência prestada à população, especialmente nos setores que atendem pacientes em estado grave.
Diante das denúncias, o Sineal solicitou que a gestão da Sesau reveja imediatamente os desligamentos e pediu a atuação das autoridades competentes em relação aos contratos de trabalho.
Descontos salariais e pedidos de demissão de médicos
O impasse envolvendo os médicos da rede estadual começou após os profissionais identificarem o desconto de 15% nos salários de outubro.
Segundo o Sinmed/AL, a Sesau encaminhou um documento assumindo o compromisso de ressarcir os valores descontados, mas não estabeleceu uma data para efetuar o pagamento.
A ausência de um prazo para a devolução tem provocado insatisfação entre os profissionais e, conforme o sindicato, pode ampliar o número de médicos que pretendem deixar seus postos de trabalho.
“Cobramos que a Secretaria cumpra o que está no documento para evitar o desligamento de vários médicos, prejudicando, assim, o funcionamento de diversos hospitais neste final de ano”, afirmou Sílvia Melo.
A entidade teme que a saída de profissionais comprometa as escalas de plantão e prejudique o funcionamento de outras unidades da rede estadual nos próximos meses.
O CadaMinuto entrou em contato com a assessoria de Comunicação da Sesau para solicitar esclarecimentos sobre a suspensão dos atendimentos obstétricos no Hospital da Mulher, a recomposição da escala médica, a devolução dos valores descontados dos salários e as demissões dos enfermeiros no HGE e aguarda posicionamento.
