O professor e jornalista Alexandre Fleming foi às imediações da Assembleia Legislativa de Alagoas, nesta terça-feira (27), após ser informado por um colega jornalista de que a Polícia Militar estava restringindo o acesso ao Legislativo durante uma manifestação contra a privatização da gestão da Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa). Ao chegar ao local, no Centro de Maceió, constatou as restrições e passou a registrar o que acontecia.

Segundo Fleming, ruas de acesso estavam interditadas e havia viaturas da PM, do Choque e da BPTran. Posteriormente, apenas uma parcela dos manifestantes teve a entrada autorizada. Os demais não puderam sequer permanecer na porta da Assembleia e tiveram que ficar do outro lado da grade da Praça Dom Pedro II, onde fica a sede do Legislativo.

“Recebi a informação de um colega jornalista e fui conferir. O acesso estava realmente restringido. Depois, somente parte dos manifestantes pôde entrar. Os demais ficaram do outro lado da grade da praça. Acompanhei tudo, filmei, fotografei e divulguei nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp da imprensa de Alagoas”, relatou.

Fleming criticou as restrições à participação popular e destacou a importância de dar publicidade ao que ocorria. Para ele, os trabalhadores e a população precisam ter condições de acompanhar uma discussão que afeta o abastecimento do estado e o funcionamento de uma estrutura pública essencial.

Na avaliação do professor, a mobilização dos permissionários, o engajamento nas redes sociais e a veiculação das informações sobre o protesto foram decisivos para impedir a votação da proposta naquele dia. Ele atribuiu aos permissionários o protagonismo da mobilização e defendeu a continuidade da pressão contra a transferência da gestão à iniciativa privada.

O protesto contesta o Projeto de Lei nº 2.123/2026, encaminhado pelo governo Paulo Dantas (MDB), que autoriza a concessão de uso oneroso da Ceasa à iniciativa privada por 30 anos. A proposta transfere à concessionária atividades de operação, manutenção, modernização, gestão e exploração econômica do complexo, mantendo a propriedade do imóvel com o Estado.

Atualmente, a administração é exercida pelo Instituto de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Alagoas (Ideral). Fleming afirma que sua posição contrária à concessão resulta da leitura e do estudo do texto revisado da proposta. Sua preocupação é com a transferência da gestão e das cobranças para uma empresa privada e com os possíveis efeitos sobre os pequenos comerciantes, os produtores rurais e o preço dos alimentos.

“Li e estudei o texto revisado que está preparado para votação. Sou contrário à privatização da gestão da Ceasa. Não podemos permitir que a administração saia do Ideral para uma empresa privada. Precisamos manter a Ceasa sob controle público, a serviço dos alagoanos”, afirmou.

O professor defende a modernização da central com investimento público, fiscalização e participação de quem trabalha no local. Para ele, eventuais privilégios devem ser corrigidos, preservando a função pública da Ceasa e as condições de permanência dos pequenos comerciantes.

“O que define uma posição de esquerda são as pautas e o programa que se defende, não o número da legenda, a cor do partido ou o mandato. Não há coerência em se dizer de esquerda e defender privatizações. Isso vale também para governos “aliados”; ter apoiado Lula (PT) não dá a nenhum governo imunidade à crítica”, declarou.

Fleming ressaltou, porém, que a defesa da Ceasa pública deve mobilizar toda a população, independentemente de identificação partidária ou escolha eleitoral.

“A luta contra a privatização é uma pauta histórica da esquerda, mas também é uma pauta de todo alagoano que sabe que a privatização precariza os serviços e compromete o preço da comida. O voto dos comerciantes não tira a legitimidade dessa luta. A defesa da Ceasa pública é de todos, não importa em quem cada um votou”, concluiu.