Tanto Bolsonaro pai e filho entendem que ser ‘homossexual’, como dizem é uma afronta severa aos conceitos normativos da sociedade , que propagam tipo um universo próprio de Nárdia: Deus x Pátria x Família.
O pai do Juninho, um sujeito rústico, com uma amorosidade áspera , residente no sertão brabo das Alagoas dos Marechais, território canonizado pelo machismo dos coronéis, feito Carcará, votou em 2022 e no primeiro turno de 2026, na família Bolsonaro.
Votou convicto que estava exercendo seus direitos até se deparar com a resistência do Juninho, o filho, que é gay.
-Pai, você vai votar, de novo, em alguém que não respeita minha existência?
-Vou sim, o voto é meu e faço dele o que quiser. Sou dono das minhas vontades- respondeu o pai, com firmeza.
Juninho não retrocedeu, depois que os muitos argumentos não tiveram eco, quebrou a indiferença do pai dizendo:- Tudo bem se o voto é só seu, vá em frente, mas, a partir de hoje, esqueça que sou seu filho e nem um bom dia te darei mais.
Juninho saiu de casa e cortou relações com o pai.
Dias depois, o pai chamou Juninho e entre lágrimas disfarçadas afirmou:- Eu pensei bem e sei que você tem razão. Você é meu filho e nada pode ser maior do que isso.
E olhando Juninho nos olhos:- Você pode voltar para casa?
O abraço, matéria prima do afeto, selou o reencontro.
É isso!
Precisa dizer mais alguma coisa?
