O Movimento Barragens Já ampliou, nos últimos dias, a mobilização em defesa da segurança hídrica e da implantação de estruturas para prevenção de enchentes em Alagoas. Depois da apresentação do Pacto pela Água em São José da Laje, o jornalista Wadson Regis liderou, na última segunda-feira, uma expedição a Pernambuco com moradores de municípios alagoanos para conhecer de perto barragens construídas no estado vizinho.
A Expedição Barragens Já – Alagoas/Pernambuco reuniu alagoanos de Rio Largo, União dos Palmares, São José da Laje e Barra de São Miguel. O grupo visitou a Barragem Panela II, em Cupira, e a Barragem Governador Eduardo Campos, em Palmares, conhecendo estruturas voltadas ao controle das águas e à redução dos impactos provocados pelas cheias.
Durante a visita, Wadson Regis apresentou as dimensões das obras e defendeu que experiências já implantadas em Pernambuco integrem o debate sobre infraestrutura hídrica em Alagoas. A proposta defendida pelo movimento prevê barragens para contenção de enchentes, estruturas para armazenamento da água dos rios e barragens subterrâneas destinadas ao aproveitamento da água das chuvas. “O que seria um sonho, nós vimos de perto a realidade. Eu só tenho a agradecer esse momento, que foi incrível, de vivenciar e ver olho a olho, e o quanto é necessário para nossa região, e o quanto realmente pode ser feito. Acredito nesse movimento e creio que teremos a tão sonhado barragem para nos dar tranquilidade no inverno”, disse Elenilda, de São José da Laje.
A expedição ocorreu poucos dias depois de São José da Laje receber a apresentação do Pacto pela Água, iniciativa vinculada ao Barragens Já. No Pátio do Povo, Wadson Regis e o deputado federal e candidato ao Senado Arthur Lira apresentaram as propostas do movimento a moradores e lideranças da Zona da Mata.
O encontro reuniu prefeitos, vereadores, empresários, lideranças políticas e moradores da região. Entre os gestores presentes estavam Ângela Vanessa, de São José da Laje; Júnior Menezes, de União dos Palmares; Géo Cruz, de Ibateguara; e Gilberto Sobreira, de Colônia Leopoldina.
A proposta apresentada em São José da Laje está estruturada em três frentes: barragens destinadas à redução dos impactos das enchentes; barragens para armazenamento da água dos rios, especialmente no Sertão e no semiárido; e barragens subterrâneas para aproveitamento da água das chuvas em comunidades rurais, inclusive nas localidades mais distantes dos cursos d’água.
Durante o encontro, Arthur Lira afirmou ter tido acesso aos estudos técnicos apresentados pelo movimento e defendeu rapidez na viabilização das obras. Segundo ele, as informações apontam potencial de transformação social e econômica nas diferentes regiões de Alagoas. “Alagoas tem água, falta planejamento”, afirmou. Lira declarou ainda que pretende atuar, no Senado, na articulação necessária para viabilizar os projetos e disse que a pauta deixou de ser apenas uma mobilização de Wadson Regis para integrar uma proposta mais ampla de governo.
O apoio político ao Barragens Já também avançou com a adesão pública de JHC. Em encontro com Wadson Regis, o candidato ao Governo declarou apoio às três frentes defendidas pelo movimento: barragens subterrâneas, estruturas para armazenamento das águas dos rios e barragens destinadas à redução dos impactos das enchentes. JHC afirmou conhecer projetos relacionados ao tema e destacou a importância desse tipo de infraestrutura para enfrentar períodos de seca, ampliar as condições de produção no campo e proteger municípios historicamente atingidos pelas cheias. Ao confirmar sua posição, declarou: “Estamos juntos nessa, Wadson. Barragens já.”
As manifestações de Arthur Lira e JHC ampliaram a presença da segurança hídrica no debate público estadual. O Barragens Já defende que a discussão ultrapasse posições partidárias e seja incorporada ao planejamento permanente de Alagoas, reunindo prevenção de desastres, abastecimento, produção rural e desenvolvimento econômico. “Foi muito emocionante. É só você ver para crê. Agora é esperar os governantes. Creio em Deus que agora teremos essas barragens. Pelo amor de Deus, senhores governantes, façam como os de Pernambuco fizeram. Olhem para tantas gente que sofre a cada inverno”, disse Dona Suzana, moradora do bairro Cacheira, de Rio Largo.
Com a realização dos dois eventos em sequência, o Barragens Já passa a combinar mobilização popular, articulação política e visitas a estruturas existentes. A expedição a Pernambuco acrescentou ao debate a possibilidade de moradores de áreas historicamente afetadas pelas cheias conhecerem presencialmente obras destinadas ao controle das águas.
Para Wadson Regis, a discussão sobre barragens envolve tanto a proteção das cidades atingidas pelas enchentes quanto a necessidade de ampliar a disponibilidade de água nas regiões afetadas pela estiagem. O Pacto pela Água reúne essas duas frentes dentro de uma proposta de infraestrutura hídrica para Alagoas.
A mobilização segue buscando ampliar o debate com gestores públicos, representantes políticos e a população dos municípios atingidos pelas cheias e pela escassez de água. A defesa do movimento é de que o tema seja tratado como uma política estruturante, envolvendo prevenção, armazenamento e aproveitamento dos recursos hídricos do estado.
