A primeira eleição presidencial em que votei foi em 1989, depois da ditadura. Uma festa. Os principais candidatos eram excelentes opções, com propostas e ideais bem definidos.
Lá estavam Fernando Collor (PRN), o sindicalista Lula da Silva (PT), o trabalhista Leonel Brizola (PDT), o social-democrata Mário Covas (PSDB) e o conservador Paulo Maluf (PDS), entre outros.
Naquela época - e nas eleições seguintes -, os candidatos, no geral, tinham vergonha de serem pegos na mentira descarada, de serem chamados de ladrão e de serem questionados pela imprensa.”
37 anos se passaram.
A disputa deste ano é estranha. Flávio Bolsonaro não parece se intimidar com as revelações sobre seus pedidos de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal.
Tampouco se abala com as controvérsias que o acompanham desde os tempos de deputado estadual no Rio, entre elas as investigações sobre ‘rachadinha’ e as acusações de vínculos com milicianos.
O que é estranho nesta eleição é justamente isso: acusações, relações controversas e episódios que, em outros tempos, poderiam provocar um custo político maior parecem ter perdido a capacidade de constranger candidatos, aliados e até mesmo o eleitorado.
