Encontro promovido pela Santa Casa de Maceió reuniu participantes para compartilhar experiências e refletir sobre os aprendizados construídos ao longo da vida

Todas as quartas-feiras, a Santa Casa de Maceió reúne o Grupo de Envelhecimento Ativo no Centro de Estudos da instituição. No último dia 23, a psicóloga Sílvia Maria da Luz, convidada pela Divisão de Ensino e Pesquisa, conduziu a palestra “O que a vida nos ensinou”, com reflexões sobre memórias, relações e as lições construídas ao longo dos anos.

Para a profissional, olhar para a própria trajetória permite reconhecer conquistas, ressignificar momentos difíceis e perceber a importância que cada pessoa continua tendo na família e na sociedade.

Convidada pela Divisão de Ensino e Pesquisa, a psicóloga Sílvia Maria da Luz conduziu a palestra “O que a vida nos ensinou”

“Um dos principais objetivos é fazer com que os idosos revisitem as suas histórias de uma forma positiva, não olhando exatamente para o que não foi bem-sucedido, mas se fortalecendo no que fizeram de bom, na sua experiência e na importância deles na família e na sociedade.”

Segundo Sílvia, até aquilo que não aconteceu como esperado pode ganhar outro significado com o passar do tempo. “Quando essas pessoas revisitam as suas histórias, isso pode trazer uma valorização muito grande da autoestima. O que não deu muito certo pode se tornar um aprendizado. Esse é um grande ganho com a maturidade: avaliar as ações e transformar tudo aquilo que foi vivido em experiência.”

A psicóloga ressalta ainda que envelhecer de forma ativa não significa apenas praticar exercícios físicos, mas continuar participando, fazendo escolhas e desenvolvendo atividades de acordo com as próprias possibilidades.

“É preciso olhar de forma ativa, se sentindo pertencente e atuando, fazendo em prol de si mesmo. Envelhecer é desenvolver uma vida dinâmica dentro das próprias possibilidades e singularidade.”

Entre os participantes do encontro estava Graça Soriano, de 75 anos, que divide a rotina entre o trabalho, os cuidados com a família, o Pilates e as aulas de pintura. Para ela, manter-se ativa também significa conviver, conversar e estar perto de outras pessoas.

“A vida me ensinou a ser forte. Eu ainda trabalho, faço Pilates duas vezes por semana, cuido da minha família e também dou aula de pintura. Estou sempre com cerca de 22, 23 alunas próximas da minha idade. A gente aprende a pintar, mas também se relaciona, conversa. É uma terapia de grupo.”

José Leonardo tem 76 anos e é um dos poucos homens que participam do Grupo de Envelhecimento Ativo da Santa Casa de Maceió

José Leonardo, de 76 anos, destacou outra lição que os anos lhe trouxeram: a importância de saber ouvir. “Nós temos muito a falar pela experiência que temos, mas ouvir os outros falarem é uma coisa muito importante. Saber ouvir e dar oportunidade para as pessoas se expressarem é muito bom.”

Participante do grupo há cerca de dois anos, Ana Nere conta que os encontros também abriram caminho para conhecer novas atividades, pessoas e oportunidades.

Ana Nere está no Grupo de Envelhecimento Ativo há cerca de dois anos e considera a inciativa muito positiva

“Eu acho importantíssimo. O envelhecer dessa forma fica muito mais fácil, porque daqui você vai conhecendo outras atividades, outros grupos e outras oportunidades.”

Os encontros semanais do Grupo de Envelhecimento Ativo abordam diferentes aspectos dessa fase da vida e contam com profissionais de áreas como medicina, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, farmácia, assistência social, tecnologia e direito social.

Por Guilherme Nogueira – Estagiário sob supervisão