O Ministério Público Eleitoral em Alagoas pediu a abertura de um inquérito policial para investigar uma possível coação eleitoral praticada pelo influenciador digital Rico Melquíades contra funcionárias. A apuração foi motivada após um vídeo publicado nas redes sociais no último sábado (12).
Na gravação, quatro mulheres aparecem ao lado do influenciador, que acumula mais de 12,4 milhões de seguidores em seu perfil. Durante o vídeo, ele questiona quem paga o salário das trabalhadoras e pergunta sobre a preferência política delas.
Ao relacionar uma das funcionárias a determinado partido, Rico afirma que ela estaria demitida, manda que ela recolha seus pertences e ressalta ser o responsável pelo pagamento do salário.
O influenciador alagoano também ganhou repercussão nacional após vencer A Fazenda 13, em 2021. Além da carreira nas redes sociais, Rico foi convocado para prestar depoimento na CPI das Bets, no Senado Federal, que investigou a divulgação de plataformas de apostas esportivas e jogos online por influenciadores digitais.
Em Alagoas, Rico chegou a anunciar uma pré-candidatura a deputado federal após se filiar ao PSDB. Durante o período de pré-campanha, escreveu em uma das publicações que caso eleito iria “liberar cirurgia plástica pra geral".
O caso será encaminhado à Polícia Federal para investigação criminal. O MP Eleitoral também informou que pretende acionar a Justiça Eleitoral para impedir que a conduta volte a ocorrer.
Segundo o órgão, o episódio pode ser enquadrado no artigo 301 do Código Eleitoral, que considera crime usar violência ou grave ameaça para obrigar alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido.
Denúncias de crimes eleitorais
Casos de ameaça, pressão ou constrangimento relacionados ao voto podem ser denunciados ao Ministério Público Eleitoral. O relato deve apresentar, quando possível, informações sobre os envolvidos, descrição dos fatos e provas como fotos, vídeos, áudios ou links.
Em Alagoas, as denúncias podem ser registradas pela Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal, por meio da plataforma MPF Serviços, ou presencialmente na Procuradoria da República, localizada na Avenida Juca Sampaio, no Barro Duro, em Maceió.
Situações envolvendo pressão política no ambiente de trabalho também podem ser comunicadas ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Já denúncias relacionadas à propaganda eleitoral irregular podem ser feitas pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral.
