Candidato ao Senado, Arthur Lira (PP) defendeu, nesta segunda-feira (14), a construção de barragens como alternativa para enfrentar secas e cheias em Alagoas. Ele participou, na Jatiúca, em Maceió, de um encontro dos movimentos Pacto pela Água e Barragens Já.

Apresentado por Wadson Regis, candidato a deputado federal, o projeto prevê a implantação de barragens subterrâneas no Alto e no Baixo Sertão. As estruturas armazenariam no solo parte da água acumulada durante o período chuvoso, permitindo seu aproveitamento na estiagem.

Segundo Regis, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) planejou 200 estruturas desse tipo, mas apenas 64 teriam sido construídas. Ele estima que cada barragem custaria entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.

“Com uma barragem subterrânea, você atende a 12 famílias, independentemente de onde ela esteja, no Alto, no Baixo Sertão ou muito distante do rio, porque ela armazena a água da chuva durante o inverno e mantém a água durante todo o verão”, afirmou.

O debate também tratou da dependência de frutas e hortaliças produzidas fora de Alagoas e comercializadas na Central de Abastecimento (Ceasa). Os responsáveis pelo projeto defendem que o acesso à água poderia ampliar a produção local e manter no estado parte dos recursos atualmente destinados a produtores de outras regiões.

O engenheiro agrônomo Antônio Santiago afirmou que as barragens, isoladamente, não garantem o aumento da produção. Para ele, os agricultores também precisam de assistência técnica, tecnologia e canais para comercializar os alimentos.

“A importância é muito grande, porque você vai fixar o homem na terra. Logicamente, tem que ser com tecnologia, com assistência técnica, e a gente tem que produzir para a comercialização, mas o potencial nós temos”, declarou.

Santiago também relacionou a proposta à necessidade de garantir alimento para os animais durante os períodos de seca. A pecuária leiteira foi citada como uma das atividades que poderiam ser beneficiadas pelo armazenamento de água no Semiárido.

“Dentro desses armazenamentos de água, nós temos uma parte destinada justamente ao Semiárido, onde vamos fazer a produção de alimentos para a bacia leiteira, que, sem dúvida nenhuma, vai ser essencial para atravessar esse super El Niño”, disse.

Os idealizadores estimam que o projeto poderia criar 17 mil postos de trabalho, ampliar a irrigação, estimular a economia do interior e reduzir os efeitos de secas e enchentes. As projeções, no entanto, foram apresentadas sem detalhamento sobre estudos técnicos, fontes de financiamento ou prazo de execução.

Ao final da apresentação, Lira afirmou que a proposta exigiria planejamento de médio e longo prazo e relacionou a execução de obras estruturantes à atuação no Senado.

“Muitas vezes, essas informações não chegam à classe política, principalmente àqueles que têm o desejo de diminuir as desigualdades e os índices de pobreza e de reduzir as diferenças enfrentadas pelas pessoas menos favorecidas em Alagoas”, afirmou.

*Estagiária sob supervisão da editoria