Se a ideia era apresentar propostas para Alagoas, Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB) resolveram seguir por outro caminho no primeiro debate entre os dois candidatos ao Governo do Estado. Entre acusações de “aparelhamento”, dívida, concursos supostamente “fraudados”, Banco Master e até bíceps turbinado por inteligência artificial, assunto não faltou, embora proposta tenha ficado em segundo plano em alguns momentos.
Renan atacou a gestão de JHC em Maceió, acusando o tucano de endividar a capital, gastar recursos do acordo com a Braskem e até colocar em risco serviços básicos, como a coleta de lixo. Também voltou a questionar a quantidade de aliados acomodados na Prefeitura.
JHC rebateu mirando nos concursos públicos estaduais, que classificou como “fraudados”, e criticou a relação do grupo de Renan com os servidores. A resposta veio rápida: o emedebista lembrou que JHC praticamente não realizou concursos durante sua gestão e citou a greve dos profissionais da educação.
O Banco Master também entrou na roda. Renan tentou associar JHC às aplicações do Iprev de Maceió. JHC devolveu mencionando supostos contatos do grupo Calheiros com Daniel Vorcaro e projetos relacionados ao empresário e ao banco.
Mas foi quando o debate saiu da política e entrou no terreno da aparência que a coisa ganhou outro tempero. Renan chamou JHC de “avatar” e “produto falso” e ironizou uma imagem do adversário com o bíceps ampliado por inteligência artificial. Para o emedebista, a “marca” de JHC seria o “gel no cabelo e o bíceps por IA”.
No fim, ainda coube espaço para Bolsonaro, pandemia e TikTok. Renan lembrou o apoio de JHC ao ex-presidente em 2022 e afirmou que problemas de segurança pública não se resolvem com “dancinha de TikTok”.
O debate teve acusações, provocações e músculos digitais e mostrou que, pelo menos na largada da disputa, os dois candidatos parecem dispostos a brigar bastante pelo passado. Nos resta saber quando começa a conversa sobre o futuro.